ADAP Admonições Audiovisuais Equipa Espiritualidade Formação Liturgia Sobre Zeladoras
Domingo XXIII do Tempo Comum - Ano A - 06 de setembro

CORREÇÃO FRATERNA É AJUDAR AQUELES QUE SE AMA 

A passagem evangélica deste domingo fala-nos de situação muito delicada: “Se o teu irmão te ofender”. Podem acontecer muitas situações: uma ação gravemente má cometida por um membro da comunidade, ou as ações de alguém no contexto da sua família, ou palavras, decisões que podem estar erradas. Desde logo, no texto, somos surpreendidos pela extrema delicadeza com que se trata o tema do “irmão que ofende”. O texto evangélico exorta-nos a três atitudes. Este é o primeiro e fundamental ponto. A comunidade cristã, desse o início, deu prioridade à pastoral das Obras de Misericórdia, tanto materiais como espirituais. Neste domingo, o Evangelho põe em evidência a importância de uma obra espiritual: a conversão do irmão pecador. Normalmente, o pecado do irmão provoca o nosso comentário e a nossa condenação. Jesus ajuda-nos a superar esta reação e a cuidar da sua vida espiritual. Normalmente, faz-nos sofrer pensar naqueles que não podem comer, ou não têm um teto, ou são injustamente perseguidos. Devemos aprender a sofrer por tantos dos nossos irmãos e irmãs que agem injustamente, ou colaboram na corrupção, ou no pecado do adultério, ou promovem a violência e a agressão, ou mantêm atitudes racistas ou machistas. O ponto mais destacado pelo Evangelho deste domingo é a delicadeza no trabalho da conversão. Fala de diferentes passos, começando com o diálogo individual mais respeitoso e discreto, encorajando a parte interessada a reconhecer o erro cometido e a converter-se. O Evangelho fala de várias intervenções, sempre procurando o bem espiritual do irmão pecador. E acaba deixando o processo nas mãos da comunidade. A reflexão de Jesus sobre a ação necessária para converter o irmão pecador termina repetindo uma expressão dita a Pedro em alguns capítulos anteriores (Mt 16, 19) e aqui aplicada a toda a comunidade: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu”. A obra de conversão do pecador invoca a alegria do céu para uma pessoa convertida à vida verdadeira: “Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão” (Lc 15, 7). O evangelho aprofunda muito a atitude de quem se preocupa com o bem espiritual do pecador. Vale a pena, no entanto, pensar também em quem recebe críticas da parte de outros. O evangelho simplesmente diz: “Se não te escutar”. Não é difícil imaginar a reação negativa de quem recebe um aviso sobre o seu próprio comportamento, pode até cortar relações. E a nós todos, o Evangelho exorta-nos ao acolhimento do apelo à conversão, mesmo que isso nos custe. Que estas exortações, apesar de genéricas, nos ajudem a mudar a nossa vida. As relações humanas, delicadas e complexas, dentro da comunidade cristã devem mostrar as palavras do Evangelho: confiança em Deus, amor aos irmãos, missão evangelizadora da Igreja. É isto que as últimas palavras do evangelho deste domingo querem sublinhar: “onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”. Temos, diante de nós, um tema muito difícil: a correção fraterna. Como é difícil hoje dizer a alguém que cometeu um erro! Então, como fazer a correção fraterna com franqueza, mas sem humilhar? Em primeiro lugar, ser objetivo com o que tem de ser corrigido. Porque muitas vezes queremos que as pessoas mudem ou deixem de fazer coisas de que não gostamos. Mas uma coisa é que o que eu não gosto e outra é onde eles estão errados. É isto que nos diz a primeira leitura: “Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte”. Em segundo lugar, talvez o mais importante, é o que diz São Paulo: “Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros” Portanto, se a correção nasce do amor franco, não faz mal a quem a ouve. Em terceiro lugar, escutemos o que diz o salmo: não endureçais o coração. O coração que escuta deve ser precisamente o de quem corrige. Como é bom ter alguém ao nosso lado com quem partilhar a vida e para nos corrigir. Mas se não quer fazer as pazes, devemos respeitar a sua liberdade e deixá-lo ir. Peçamos ao Espírito Santo a sua luz para iluminar o momento adequado para fazer correções, porque toda a ajuda é pequena quando se trata de ajudar aqueles que se ama.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Da paz dos nossos lares a cantar, NCT 215; Nós vamos até Vós, NCT 223; Irmãos, adoremos o Senhor (M. Faria) – CT 22; Toda a Terra Vos adore (M. Carneiro) – CQVM 30; Apresentação dos Dons: Onde há caridade verdadeira (C. Silva) – OC 232; Deus é Amor (M. Luís) – CEC II 54; Comunhão: Como o veado anseia, NCT 160; É Cristo quem nos convida, NCT 258; Onde se reúnem dois ou três (A. Oliveira) – IC 518; Tudo o que pedirdes na oração (C. Silva) – OC 295; Final: Dai graças ao Senhor (F. Santos) – NCT 610; Cantarei ao Senhor (F. Silva) – NCT 212

LEITURA ESPIRITUAL

«Eu estou no meio deles» 

Aquele que celebra sozinho no coração do deserto É uma assembleia numerosa. Se dois se unirem para celebrar entre os rochedos, Aí estarão presentes milhões, miríades. Se três se reunirem, Um quarto estará no meio deles. Se forem seis ou sete, Estarão reunidos doze mil milhões. Se se puserem em fila, Encherão o firmamento de orações. Se estiverem crucificados sobre a rocha, E marcados com uma cruz de luz, A Igreja estará fundada. Se estiverem reunidos, O Espírito plana sobre as suas cabeças. E, quando terminam a sua oração, O Senhor levanta-Se e serve os seus servidores (cf. Lc 12,37; Jo 13,4). (Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja, Hino inédito)

 

Este website utiliza cookies para melhorar a qualidade dos nossos serviços. Ao continuar a navegação está a aceitar a sua utilização.

Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

liturgia@diocesedeviseu.pt

© 2002-2026 SDPLV

View My Stats