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Domingo XXVIII do Tempo Comum - Ano A - 11 de outubro

VINDE, TUDO ESTÁ PREPARADO! 

Como texto evangélico deste domingo, temos, novamente, uma parábola de Jesus, narrada por São Mateus. Utiliza a imagem de um rei que convida para o banquete de casamento do seu filho. É uma das imagens que exprimem com maior delicadeza a mensagem do amor de Deus e o apelo à nossa resposta. Deus é como um rei que convida para a festa de casamento do seu filho. Recordemos as distintas imagens que Jesus usa para revelar o amor de Deus: Deus convida, atrai, envia, dá, procura, abraça... Deus ama os homens e os atrai para viverem n'Ele. O Antigo Testamento já tinha usado, várias vezes, a imagem do convite, como acontece no texto de Isaías da primeira leitura. Deus ama-nos e convida-nos para o grande banquete da vida n'Ele. Esta vida é a plena confiança em Deus, é a comunhão do amor fraterno, é a paz entre as pessoas, o acolhimento, o diálogo, o perdão. E a vida terrena é a prefiguração e o início da grande alegria do banquete escatológico, servido pelo próprio Senhor (Mt 8, 11-12). Jesus fala do banquete de Deus como uma grande festa para a qual todos somos convidados: viver em paz, perdoar e pedir perdão, respeitar e ajudar os mais necessitados, viver a grande festa do amor fraterno. Deus não obriga nem impõe, mas convida cada pessoa, cada comunidade a viver a alegria da vida reencontrada. Não obriga, mas convida; todavia, diante deste convite, tem de se tomar uma atitude: ou se aceita ou se rejeita. É o convite à vida de amor, de justiça e de trabalho para o bem de todos. Recusar o convite é perder-se. Não há meio-termo, nem uma terceira possibilidade. Diante dos outros, ou os aceito e ajudo, ou os rejeito e passo ao lado. Não procurar a justiça, não perdoar, é perder-se. Muitos convidados não aceitam o convite. Não aceitam viver na simplicidade, no serviço, no trabalho pela paz, na alegria da festa da vida. Esta é a parte incoerente da nossa vida humana: rejeitar no nosso modo de viver a alegria da confiança, da comunhão, do amor e da paz. O amor de Deus é imenso e abre a todos a porta do banquete. Este segundo convite pode ser interpretado do seguinte modo: os líderes do povo de Israel rejeitaram e mataram os profetas, e, agora, Deus estende o convite a todos os povos, judeus e pagãos, sem qualquer limite. Mas também pode ser interpretado como um convite feito a cada pessoa, a cada grupo, a cada povo, que talvez tenha rejeitado o primeiro convite, mas que pode corrigir a sua primeira decisão. “Preparei o meu banquete, tudo está pronto. Vinde às bodas”, venham à festa da verdadeira vida, para saborear a alegria da paz depois de uma desavença, a alegria de uma família reconciliada, ou de um conflito resolvido. Mas, “o rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial? Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores… Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Alguns cristãos entenderam que, quando a parábola fala daqueles que aceitam o convite, simplesmente se refere a eles. Mas, aceitar o convite para o banquete não é ter o nome escrito no livro dos batizados, mas é um modo de viver, é vestir a veste de uma vida nova de amor aos irmãos e de confiança em Deus Pai, de uma vida em conformidade com a vontade de Deus e com o respeito e a dignidade da pessoa humana. A causa da expulsão da sala do banquete foi que “ele ficou calado”. Este convidado não admitiu que precisava de vestir uma roupa diferente daquela que trazia habitualmente. O seu silêncio revela que está fechado em si mesmo e que é incapaz de entrar em diálogo com outra pessoa que vem ao seu encontro. Deus convida todos os seus filhos, homens e mulheres do mundo inteiro, para o banquete da vida na sua plenitude. E esta festa da vida tem um sinal: a Eucaristia. Deus convida-nos a comer e a beber, em comunidade, o Corpo e o Sangue do Senhor. A Eucaristia é o sinal sublime da nossa comunhão com o Senhor e, ao mesmo tempo, estimula-nos a crescer no amor e na paz segundo o seu Espírito. “Vinde às bodas” é o grito a toda a humanidade que vem da cruz e da ressurreição. Participar deste banquete com humildade modela os nossos corações para a vida na sua plenitude, para o banquete celeste.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Deus vive na sua morada santa (F. Santos) – NCT 217; Eu vi a cidade santa, F. Santos, NCT 311; Deus fala de paz, F. Santos, NCT 216; Cantai ao Senhor, F. Santos, NCT 210; Iremos com alegria (M. Luís) – NCT 324; Apresentação dos Dons: Os ricos empobrecem (C. Silva) – CEC II 127; Tudo posso n’Aquele que me conforta (C. Silva) – OC 296; Comunhão: Eu estou à porta e chamo, F. Silva, NCT 260; Felizes os convidados, M. Luís, NCT 264; Buscai o alimento, M. Luís, NCT 393; Ó Sagrado banquete, C. Silva, NCT 266; Porque Ele está connosco, F. Santos, NCT 571; Vinde comer do meu Pão (C. Silva) – NCT 264; Fim: Pelo vosso eterno amor (M. Luís) – CT 212; Cantarei ao Senhor (F. Silva) – IC 408.

LEITURA ESPIRITUAL

«O Reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho»

Há três tipos de núpcias: de união, de justificação e de glorificação. As primeiras foram celebradas no templo da Virgem Maria; as segundas são celebradas diariamente no templo da alma fiel; as terceiras serão celebradas no templo da glória celeste. Aquilo que é próprio das núpcias é unir duas pessoas: o esposo e a esposa. Quando duas famílias estão em conflito, em geral, o casamento une-as, porque o homem de uma delas toma uma mulher pertencente à outra. Entre nós e Deus, havia uma grande discórdia; para a eliminar e estabelecer a paz, foi necessário que o Filho de Deus tomasse esposa na nossa parentela.
Este casamento foi consumado por meio de vários intermediários e pacificadores, que, com orações insistentes, o obtiveram a grande custo. Finalmente, o Pai deu o seu consentimento e enviou o Filho, que Se uniu à nossa natureza na câmara nupcial da Virgem Maria. Deste modo, o Pai «preparou um banquete nupcial para o seu Filho». As segundas núpcias são celebradas quando a graça do Espírito Santo desce sobre a alma e esta se converte. O esposo da alma é a graça do Espírito Santo. Quando Ele chama à penitência pela inspiração interior, o fascínio do vício perde o seu efeito.
Finalmente, as terceiras núpcias serão celebradas no dia do juízo, à vinda do Esposo, Jesus Cristo, sobre o qual está escrito: «Chegou o esposo! Vinde ao seu encontro» (Mt 25,6). Com efeito, Ele tomará a Igreja como esposa, como João afirma no Apocalipse: «Eis que vem a esposa, a Jerusalém que desce do Céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus» (cf. Ap 21,9-11). A Igreja dos fiéis desce do Céu porque obteve de Deus que a sua morada fosse nos Céus. Assim, no presente, ela vive pela fé e a esperança, mas dentro em breve celebrará as núpcias com o Esposo: «Bem-aventurados os que foram convidados para o festim das núpcias do Cordeiro!» (Ap 19,9). (Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja, Sermão do 20º Domingo depois do Pentecostes)

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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