DOMINGO XXX - TEMPO COMUM - ANO A - 25 de outubro
Amar a Deus e ao próximo é o coração do Evangelho
No tempo de Jesus, o Judaísmo estava sobrecarregado com um enorme fardo de preceitos a seguir, especialmente por parte dos fariseus. Uma das discussões entre as principais escolas judaicas foi a pergunta que fizeram a Jesus: Qual é o maior mandamento da Lei? Jesus desvia-se da questão que gera a discussão, porque o importante não é saber qual é o maior mandamento, mas encontrar a origem e o fundamento de todas as coisas; e para o Senhor essa origem e fundamento é o amor, a partir da sua dupla dimensão: amor a Deus e amor ao próximo. A pergunta que os fariseus dirigem a Jesus pode ser traduzida em perguntas como: Qual é o principal valor humano? Que realidade pode dar um sentido radical à minha vida? Onde está o segredo para ser feliz? A todas estas perguntas o Senhor continua a responder-nos assim: amar, amor a Deus e ao próximo. Na nossa vida cristã deve haver um processo de crescimento que nos leve a deixar de ver o mandamento do amor como uma obrigação, para vê-lo como fonte de vida, como fundamento e razão de ser da nossa existência. Na nossa vida de cristãos, a vivência do amor não é algo meramente externo que nos obrigamos a fazer porque assim está mandado, mas que seja uma necessidade, que esse amor configure a nossa vida, a nossa forma de viver e de agir. Se o amor é para nós um mero mandamento que vemos que é necessário cumprir por obrigação, estaremos na mesma posição dos fariseus que interrogaram Jesus. O mandamento do amor, esta fonte de vida, é o que dá sentido e fundamento a todos os preceitos da nossa fé; e na nossa vida cristã não devemos esquecer esta origem e fundamento dos preceitos, pois eles existem na medida em que nos ajudam a amar. À pergunta dos fariseus, Jesus responde com um único preceito, o do amor, mas na sua dupla dimensão de amor a Deus (vertical) e de amor ao próximo (horizontal). Pode-se correr o risco de ver aqui dois preceitos independentes, mas é um único preceito que contém as duas dimensões na vida do homem. O amor a Deus manifesta-se através do amor ao próximo e vice-versa. Não podemos cair num relacionamento angelical, piedoso, com Deus, ficando indiferentes ao que está a acontecer à nossa volta. Como também não é possível a um cristão fazer o bem aos outros, mas sem referência a Deus, pois então ele estaria somente a exercer o trabalho de uma ONG, o que é bom; mas para o cristão deve ter um acento especial, uma razão específica de ser, e isso ser-lhe-á dado pela referência dessa obra a Deus, vivendo a partir Dele e como caminho para Ele, em favor do próximo. Na primeira leitura, ouvimos dizer que já no Antigo Testamento o povo judeu tinha a norma de amar o próximo e de estar atento aos mais necessitados e desamparados. A diferença entre estes preceitos do Livro do Êxodo e o preceito do amor apontado pelo Senhor é que, para os primeiros, este amor ao próximo deveria ser exercido apenas para com o israelita, para com um do povo, enquanto para Jesus o exercício do amor deve ser universal, sem distinção de raça, culturas, cor, etc. O Senhor convida-nos a viver o amor segundo a sua natureza, isto é, sem fronteiras, sem limites, pois cada ser humano, porque é homem e mulher e porque é criatura de Deus, deve ser respeitado e deve ser objeto do nosso amor, sinal do amor de Deus para com cada um. Jesus disse: “Amarás o Senhor, teu Deus…Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Começa com um verbo, amarás, no futuro, a indicar que o amor é o futuro do mundo, que sem amor não há futuro: amai-vos, de outra maneira sereis destruídos. Não amar é apenas um lento morrer. Morre lentamente quem não ama. Amarás a Deus com o teu coração de luz e também com o coração de sombra; com o coração que acredita e também com o coração que duvida; de olhos fechados quando tens medo, e até com as lágrimas. Mas, o que Jesus disse de novo? A novidade de Jesus está em acrescentar um segundo mandamento, semelhante ao primeiro: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” é semelhante a “amarás a Deus”. O próximo tem rosto e voz, tem coração e beleza, é semelhante a Deus. |