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Domingo XXIX do Tempo Comum - Ano A - 18 de outubro

O “PROGRAMA POLÍTICO” DE JESUS: FÉ ATIVA, ESPERANÇA FIRME, CARIDADE VIGOROSA 

O texto evangélico deste domingo termina com uma das frases mais famosas de todo o Evangelho: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. É evidente que foi uma maneira muito inteligente de Jesus não cair numa armadilha que os fariseus lhe queriam colocar. Mas o que significa exatamente esta frase de Jesus? Que repercussões tem na nossa vida cristã? No tempo de Jesus, em todas as religiões havia uma identificação entre o poder religioso e o poder temporal, não havia separação entre os dois. Na verdade, hoje em muitas religiões continua a ser assim. No entanto, Jesus estabelece uma distinção entre as coisas de Deus e as coisas temporais do mundo. O Concílio Vaticano II desenvolve de forma clara e precisa a laicidade do mundo, entendendo que nem tudo é sagrado. Nesta perspetiva, a fé cristã estabelece uma justa autonomia do poder civil e das questões políticas em relação à religião, afirmando que não é o líder religioso que tem de estabelecer as normas de proceder e da sociedade, que é responsabilidade das autoridades civis, entre outras coisas, porque nem todos os cidadãos da nossa sociedade são cristãos, nem católicos; por isso deve ser feita legislação para todos em busca do bem comum e do respeito pelos direitos humanos, na qual todas as religiões devem ser tidas em consideração. Quer isto dizer que um cristão não pode estar na política e não deve interessar-se pela política? Pelo contrário, como cidadãos, devemos empenhar-nos na construção da sociedade segundo o modelo do Reino de Deus e contribuirmos para o bem comum da humanidade, como também devemos saber escolher os nossos líderes sociais e políticos com critérios baseados nos valores do Evangelho. É nossa missão alertar e pressionar os nossos governantes a trabalharem para o bem comum, dando prioridade à dignidade da pessoa humana, sobretudo aos mais necessitados, recordando-lhes que todos somos parte de uma única e mesma família. O Cristianismo promove o modelo do homem perfeito, seguindo o exemplo de Cristo; por isso os cristãos não devem ter vergonha de se envolverem na política ou na sociedade, porque o modelo que podemos propor é muito bom, mesmo para os não crentes ou para aqueles que têm outras crenças religiosas. Mas, será necessário cuidar da maneira de fazer isto, a partir dessa justa diferença que o Senhor faz entre o divino e o terreno, entendendo que eles estão relacionados, mas que não são os mesmos. Embora a laicidade do mundo seja algo a reconhecer, o cristão não pode esquecer que só existe um só Senhor e que, se é verdade que ele deve entregar a César o que é de César, deve fazê-lo na medida em que isso converge com o desígnio de Deus, isto é, que o nosso compromisso e ação no mundo devem estar impregnados dos valores do Evangelho. Somos chamados a construir o Reino de Deus já aqui na terra. Isto pode parecer uma contradição com o que dissemos acima, mas não é. A nossa dignidade de pessoa deve-se a um só Senhor. A nossa sociedade convida-nos a viver a vida de forma fragmentada, a ser uma coisa num lugar e o contrário noutro, mas a nossa fé cristã convida-nos a viver a unidade da vida, na qual o centro é o Senhor. Por isso, o nosso compromisso com o mundo não pode virar as costas à nossa fé, mas deve ser um reflexo e uma concretização da mesma. A nossa sociedade hoje está muito dada aos extremos, às dicotomias, mas o Evangelho de Jesus Cristo é o oposto. Encontramos grupos de pessoas que procuram sacralizar o mundo, o espaço civil, querendo que os poderes políticos estejam sob a batuta dos líderes religiosos, mas isso está contra a sentença do Senhor, “a César o que é de César”. Mas também encontramos outros grupos que pedem que os cristãos vivam a sua fé nas “sacristias”, só dentro das igrejas, e que no espaço público não defendam, nem promovam, nem vivam os seus princípios religiosos, o que também está contra o princípio de Jesus, “a Deus o que é de Deus”. Jesus pede-nos que vivamos o justo equilíbrio entre o sagrado e o profano, com uma coerência de vida e de testemunho que respeite a diversidade, mas sem esquecer que só existe um Deus, como nos recorda a primeira leitura, de Isaías: “Eu sou o Senhor e mais ninguém". Tal como os cristãos de Tessalónica, vivamos com uma fé ativa, uma esperança firme e uma caridade vigorosa. Deste modo, seremos autênticos missionários na sociedade atual, dando a Deus o que é de Deus e levando a luz do Evangelho aos confins da terra. A imagem de Deus não está impressa no ouro, mas no género humano. A moeda de César é o ouro, a moeda de Deus é a humanidade.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Eu venho, Senhor, F. Santos, NCT 218; O Senhor é minha luz, F. Santos, NCT 224; Bendito o que vem, M. Luís, NCT 208; Eu vos invoco, Senhor (A. Cartageno) – CEC II 129; Aclamai o Senhor, Terra inteira (J. Santos) – CEC I 148; Apresentação dos Dons: Tomai Senhor e recebei (J. Santos) – IC 578; Acumulai tesouros no Céu (F. Santos) – LHC 210; Comunhão: Formamos um só corpo, C. Silva, NCT 265; O Senhor alimenta, F. Silva, NCT 67; Dai a César (A. Frade) – CEC II 130; Quem come a minha carne (M. Carneiro) – CQVM 118; Fim: Senhor cantarei eternamente (M. Luís) – NCT 330; Bendito seja Deus (S. Simões) – NCT 282.

LEITURA ESPIRITUAL

«De quem é esta imagem?»: fazendo-Se homem, Deus restaura em nós a imagem da Trindade 

Amor eterno, peço-Te em graça, tem misericórdia do teu povo, em nome da caridade eterna que Te levou a criar o homem à tua imagem e semelhança (Gn 1,26). Só o fizeste, ó Trindade eterna, porque querias levar o homem a participar de Ti. Foi por isso que lhe deste a memória, para que se lembre das tuas mercês, e para que participe assim no teu poder, ó Pai eterno. Foi por isso que lhe deste a inteligência, para que possa compreender a tua bondade e participe assim da sabedoria do teu Filho único. Foi por isso que lhe deste a vontade, para que possa amar o que vê e o que conhece da tua verdade, e assim participe no amor do teu Espírito Santo. O que Te levou a dar uma tão grande dignidade ao homem? O amor inesgotável com que olhas a tua criatura em Ti mesmo. (Mas,) por causa do pecado, ela perdeu a sua dignidade. Então Tu, levado por esse mesmo fogo com que nos criaste, deste-nos o Verbo, o teu Filho único. Ele cumpriu a tua vontade, Pai eterno, quando O revestiste da nossa humanidade, à imagem e semelhança da nossa natureza. Ó abismo de caridade! Que coração poderá deixar de ceder ao teu amor, vendo o Altíssimo juntar-Se à baixeza da nossa humanidade? Nós somos a tua imagem, e tu és a nossa, pela união que consumaste no homem ocultando a tua divindade no barro de Adão (Gn 2,7). O que te levou a fazê-lo? O amor! Tu, que és Deus, fizeste-Te homem, e o homem tornou-se Deus. Por esse amor indizível, rogo-Te, tem misericórdia das tuas criaturas. (Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa, Diálogos, cap. 13)

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