VINDE, TUDO ESTÁ PREPARADO!
Como texto evangélico deste domingo, temos, novamente, uma parábola de Jesus, narrada por São Mateus. Utiliza a imagem de um rei que convida para o banquete de casamento do seu filho. É uma das imagens que exprimem com maior delicadeza a mensagem do amor de Deus e o apelo à nossa resposta. Deus é como um rei que convida para a festa de casamento do seu filho. Recordemos as distintas imagens que Jesus usa para revelar o amor de Deus: Deus convida, atrai, envia, dá, procura, abraça... Deus ama os homens e os atrai para viverem n'Ele. O Antigo Testamento já tinha usado, várias vezes, a imagem do convite, como acontece no texto de Isaías da primeira leitura. Deus ama-nos e convida-nos para o grande banquete da vida n'Ele. Esta vida é a plena confiança em Deus, é a comunhão do amor fraterno, é a paz entre as pessoas, o acolhimento, o diálogo, o perdão. E a vida terrena é a prefiguração e o início da grande alegria do banquete escatológico, servido pelo próprio Senhor (Mt 8, 11-12). Jesus fala do banquete de Deus como uma grande festa para a qual todos somos convidados: viver em paz, perdoar e pedir perdão, respeitar e ajudar os mais necessitados, viver a grande festa do amor fraterno. Deus não obriga nem impõe, mas convida cada pessoa, cada comunidade a viver a alegria da vida reencontrada. Não obriga, mas convida; todavia, diante deste convite, tem de se tomar uma atitude: ou se aceita ou se rejeita. É o convite à vida de amor, de justiça e de trabalho para o bem de todos. Recusar o convite é perder-se. Não há meio-termo, nem uma terceira possibilidade. Diante dos outros, ou os aceito e ajudo, ou os rejeito e passo ao lado. Não procurar a justiça, não perdoar, é perder-se. Muitos convidados não aceitam o convite. Não aceitam viver na simplicidade, no serviço, no trabalho pela paz, na alegria da festa da vida. Esta é a parte incoerente da nossa vida humana: rejeitar no nosso modo de viver a alegria da confiança, da comunhão, do amor e da paz. O amor de Deus é imenso e abre a todos a porta do banquete. Este segundo convite pode ser interpretado do seguinte modo: os líderes do povo de Israel rejeitaram e mataram os profetas, e, agora, Deus estende o convite a todos os povos, judeus e pagãos, sem qualquer limite. Mas também pode ser interpretado como um convite feito a cada pessoa, a cada grupo, a cada povo, que talvez tenha rejeitado o primeiro convite, mas que pode corrigir a sua primeira decisão. “Preparei o meu banquete, tudo está pronto. Vinde às bodas”, venham à festa da verdadeira vida, para saborear a alegria da paz depois de uma desavença, a alegria de uma família reconciliada, ou de um conflito resolvido. Mas, “o rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial? Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores… Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Alguns cristãos entenderam que, quando a parábola fala daqueles que aceitam o convite, simplesmente se refere a eles. Mas, aceitar o convite para o banquete não é ter o nome escrito no livro dos batizados, mas é um modo de viver, é vestir a veste de uma vida nova de amor aos irmãos e de confiança em Deus Pai, de uma vida em conformidade com a vontade de Deus e com o respeito e a dignidade da pessoa humana. A causa da expulsão da sala do banquete foi que “ele ficou calado”. Este convidado não admitiu que precisava de vestir uma roupa diferente daquela que trazia habitualmente. O seu silêncio revela que está fechado em si mesmo e que é incapaz de entrar em diálogo com outra pessoa que vem ao seu encontro. Deus convida todos os seus filhos, homens e mulheres do mundo inteiro, para o banquete da vida na sua plenitude. E esta festa da vida tem um sinal: a Eucaristia. Deus convida-nos a comer e a beber, em comunidade, o Corpo e o Sangue do Senhor. A Eucaristia é o sinal sublime da nossa comunhão com o Senhor e, ao mesmo tempo, estimula-nos a crescer no amor e na paz segundo o seu Espírito. “Vinde às bodas” é o grito a toda a humanidade que vem da cruz e da ressurreição. Participar deste banquete com humildade modela os nossos corações para a vida na sua plenitude, para o banquete celeste. |