Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
 
Admonições

Celebração do Domingo

4º DOMINGO DO ADVENTO [ANO A]
Chegámos ao último domingo do Advento. À nossa volta, tudo está preparado para celebrar a solenidade do nascimento de Jesus. Mas, procuremos não cair em distrações, vivendo estes dias festivos sem dar conta da presença do Senhor. Não fiquemos carentes da proximidade de Deus.

Os especialistas dizem que as pessoas carentes de algum dos cinco sentidos, desenvolvem mais os outros, até ao ponto de compensar o que lhes falta. Na vida interior, acontece o mesmo. Quanto mais indiferente estiver o coração, menos sensível será a tudo e a todos. Isto acontece com pais e filhos, com casais, com empresários e operários, com sacerdotes e paroquianos...Para darmos conta da presença de Deus na nossa vida, é necessário estar vigilante e atento e não nos enfartarmos de palavras, de imagens ou de emoções. É importante que nos esvaziemos, que nos privemos de algumas coisas para estarmos mais atentos a tudo o que acontece à nossa volta. Deus pode estar muito perto de ti, mais perto do que tu pensas, mas ao estares tão preocupado com os teus problemas e inquietações, o que a todos acontece com frequência, não dás espaço aos sinais que, certamente, o Senhor vai deixando à sua passagem.

A atitude de Acaz é um alerta para todos. Acaz andou a vida inteira à procura de Deus, e quando o Senhor quis tornar-se acessível, ele ficou assustado. Isto não pode acontecer connosco que andamos uma vida inteira a pedir sinais a Deus da sua misericórdia, do seu amor ou do seu perdão. Por vezes, andamos tão cheios de ocupações e de preocupações, que não temos nem um minuto sequer na nossa preenchida agenda, nem um lugar na nossa vida, nem um sentimento no nosso coração! Muitas vezes, as nossas ocupações cegam-nos.

O Senhor deu-nos e dá-nos um sinal. Isto não podemos negar! Podemos olhar para o outro lado e repetir mil e uma vezes que não O vimos, podemos querer justificar-nos que Deus já não passa na nossa vida e no nosso mundo há muito tempo! Mas não é verdade. Deus dá-nos sinais evidentes, sinais inequívocos do seu amor por nós. Mas se não vemos os sinais, talvez seja, agora, o momento para nos esvaziarmos de algumas coisas para darmos espaço a Deus. Ele não é muito exigente, não precisa de muitas coisas, só pede um cantinho no nosso coração e na nossa vida.

Que belo exemplo encontramos na figura deste domingo, São José. Andou esquecido durante tanto tempo, mas também ele é muito importante para a concretização do mistério da Encarnação. A José foi confiada a missão de proteger o maior tesouro dado por Deus, o Seu Filho, Jesus Cristo. No texto do evangelho, José é apresentado como “justo”, ou seja, “santo”. E porquê este título tão sublime a alguém de quem tão pouco fala a Sagrada Escritura? Em primeiro lugar, pela sua discrição. José é o homem do silêncio. Mas o silêncio de José não é um silêncio vazio; é no silêncio onde escuta a voz de Deus no seu íntimo. Ao dar conta da gravidez de Maria, sua noiva, sem a condenar, refugia-se no silêncio, na solidão, na escuta orante do Senhor. Só quem vive assim pode obter respostas de Deus. José não toma decisões precipitadas, mas deixa que o Espírito Santo o oriente. Em segundo lugar, porque José tem algo específico de um crente: a obediência. Para um cristão, que procura fazer a vontade de Deus em todos os momentos da vida, escutar significa obedecer. José aceita, sem restrições, a sua missão de guardar um tesouro. Mantendo-se discreto, alheio a possíveis críticas, e abdicando dos seus sonhos enquanto marido de Maria, José sabe que acima dos seus sonhos está um projeto de Deus para a Humanidade.

José mostra que nós somos mais do que os nossos projetos ou sonhos; somos instrumentos de Deus para um projeto maior, ao serviço de uma Palavra grávida de esperança para a Humanidade. Sem aparecer muito, José foi grande. Falando pouco, diz-nos muito. Hoje somos convidados a imitá-lo. O Menino que está para nascer é o tesouro que Deus nos confia e, como José, devemos acolher, proteger e cuidar.

 

SUGESTÃO DE CÂNTICOS
Entrada: Derramai, ó céus, F. Santos, NCT 23; Ó Sol nascente, F. Santos, BML 23, 14; Abra-se a terra (M. Luís) – NCT 38; Sabei que o nosso Deus (M. Simões) – CEC I 38; Ofertório: Excelso Criador, F. Santos, NCT 452; Alma Redemptoris Mater, NCT 58; Ó Ceus, do alto rociai (Popular) – CEC I 24; Vinde, Senhor, e não tardeis (F. Borda) – NCT 41; Comunhão: A Virgem conceberá, F. Santos, NCT 42; Todos vós que tendes sede, J. Santos, NCT 48; Eis que uma Virgem conceberá (B. Sousa) – CEC I 26; Vinde, vinde, ó desejado (M. Luís) – CEC I 35; Fim: Maria, fonte da esperança, M. Luís, NCT 53; Feliz és Tu (C. Silva) – CEC I 28; Como Maria, diz sim a Deus (C. Silva) – OC 64.


LEITURA ESPIRITUAL
«Pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados»

Diz o profeta Isaías: «Olhai: a jovem está grávida e vai dar à luz um filho, e há de pôr-Lhe o nome de Emanuel» (7,14). O nome do Salvador, «Deus connosco», dado pelo profeta, refere-se às duas naturezas da sua única Pessoa. Com efeito, Aquele que é Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, é também o Emanuel do fim dos tempos, o «Deus connosco». Tornou-Se assim no seio de sua Mãe, porque Se dignou aceitar a fragilidade da nossa natureza na unidade da sua Pessoa, quando «o Verbo Se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,14).
Ele começou de forma admirável a ser o que nós somos sem deixar de ser quem era, assumindo a nossa natureza sem perder o que era em Si mesmo. «Maria teve o seu filho primogénito e deram-Lhe o nome de Jesus» (Lc 2, 7.21). «Jesus» é o nome do Filho nascido da Virgem, nome que indica, segundo a explicação do anjo, que Ele salvará o povo dos seus pecados. Será Ele que, evidentemente, salvará também da destruição da alma e do corpo os seguidores do pecado.
Quanto ao nome «Cristo», é título de dignidade sacerdotal e real. Sob a antiga Lei, os sacerdotes e os reis eram chamados cristos, devido ao crisma [que recebiam]. Essa unção com óleo santo prefigurava o Cristo que, vindo ao mundo como verdadeiro Rei e Sacerdote, foi consagrado: «Deus ungiu-O com o óleo da alegria, preferindo-O aos Seus companheiros» (Sl 44,8). Por causa dessa unção ou crisma, Cristo em pessoa e aqueles que participam da mesma unção – quer dizer, da graça espiritual – são chamados «cristãos». Por ser o Salvador, Cristo pode salvar-nos dos nossos pecados; por ser Sacerdote, pode reconciliar-nos com Deus Pai; por ser Rei, digna-Se dar-nos o Reino eterno de seu Pai. (São Beda, o Venerável, c. 673-735, monge beneditino, doutor da Igreja, Homilias para a Vigília do Natal, 5)

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA
Durante estas semanas de Advento, o exemplo de Maria é maravilhoso para estimular a nossa esperança. Esta mulher não teve uma vida fácil, como podemos ter a tentação de pensar. Aparecer grávida sem estar casada; ter que contar a José, seu noivo, esperando que ele acreditasse contra toda a lógica e com medo de ser repudiada e apedrejada; ficar sozinha tão nova; ver o seu Filho sem casar e ser tido por todos como louco; ver o Seu Filho ser torturado até à morte, suspenso numa cruz: não são momentos de uma vida fácil. Mas isto foi a vida desta mulher. É verdade que nós podemos ver a sua vida de outra maneira, porque já conhecemos o final da história (a ressurreição de Jesus, o sonho de José a sua própria assunção...). Mas, pensais que foi fácil para esta mulher acreditar que Deus estava sempre com ela? De facto, não foi. Não foi fácil e, em alguns momentos, deve ter tido medo. Porque não é fácil ver Deus ao teu lado nas situações mais difíceis. Quantas mulheres sofrem e morrem por causa das barbaridades da violência doméstica! Quantas viúvas vivem sozinhas, abandonadas e esquecidas pela família, até por alguns dos filhos! Como viverão os pais que vêm morrer os seus filhos de acidente, de doenças incuráveis, vítimas dos vícios e da vida pervertida? Nestas circunstâncias, será fácil sentir a proximidade da mão de Deus? Sabeis porque é que Maria é exemplo para nós? Porque sempre manteve a esperança, a esperança em Deus e na sua poderosa força. Uma força que dá vida, que faz justiça, que liberta, apesar de muitas vezes, não percebermos nem sentirmos a claridade da sua presença.
Celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria é proclamar que Maria foi concebida sem pecado original. Não se trata de celebrar a conceção virginal de Jesus, mas afirmar que Maria foi preservada de toda a mancha de pecado desde o primeiro momento da sua existência, preparada para ser a Mãe do Redentor. Maria foi escolhida por Deus para a missão de ser Mãe de Jesus, mas esta escolha não lhe retirou a liberdade da resposta e a sua adesão ao projeto de Deus. Maria não nasceu a saber já a sua missão. Ela foi educada na sua família para a fidelidade a Deus, na educação dada pelos seus pais e na sua intimidade com o Senhor. E quem assim vive facilmente aceita os projetos divinos, quando eles são revelados. Maria percebe que o sonho de Deus é maior do que os seus sonhos e projetos pessoais. Ao ouvir a mensagem do Anjo, Maria perturba-se. É surpreendida pelo anúncio, muitas perguntas e incertezas surgiram naquele momento. Não há tempo para muitas reflexões; a urgência da Encarnação da Palavra Eterna exige prontidão. Então, Maria coloca-se nas mãos de Deus, pergunta o que deve fazer. A Maria somente se pede o consentimento, porque Deus não força as nossas respostas nem condiciona a nossa liberdade. Então, a prontidão, mais que disponibilidade, torna-se obediência e generosidade: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. A sua vida não é mais sua: Maria é toda de Deus, consagrada à sua vontade santa.
O “sim” de Maria não é apenas um “sim” a Deus, é também um “sim” à Humanidade. O seu “sim” inverte a desobediência de Eva. Agora, Maria torna-se a “Nova Eva”, a Mãe de todos os viventes redimidos em Cristo. Por Ela veio ao mundo o Salvador do Mundo. Maria é o modelo daquilo que Jesus sonha fazer em cada ser humano: escolheu-nos, “antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença”. Que o Senhor possa igualmente fazer maravilhas na nossa vida, como fez na vida de Maria.

 

SUGESTÃO DE CÂNTICOS
Entrada: Exulto de alegria, M. Silva, NCT 29; Toda sois formosa (C. Silva) – OC 250; Salmo Resp.: Cantai ao Senhor, F. Santos, NCT 34; Aclam. ao Ev.: Avé, cheia de graça, F. Santos, NCT 37; Ofertório: Toda Formosa, F. Santos, NCT 464; Senhora imaculada, F. Santos, NCT 461; Glória da Humanidade (A. Cartageno) – AMG 6; Bendita sois, Virgem Maria (C. Silva) – OC 45; Comunhão: É celebrada a Vossa glória, F. Santos, NCT 50; O trigo que Deus semeou (C. Silva) – CT 751; Fim: Maria, Fonte de esperança, M. Luís, NCT 53; A minha alma glorifica o Senhor (C. Silva) – CT 863; Salve, Nobre Padroeira (Popular) – CT 570.

 

LEITURA ESPIRITUAL
Alegre-se a gloriosa Virgem Maria, tua Mãe!
Bendiga-Te a santa glória da tua divindade, meu Deus e minha doçura, com a qual Te dignaste encher e cumular durante nove meses as castas entranhas da Virgem Maria. Bendiga-Te o elevado poder da tua divindade, que Se inclinou sobre as profundezas deste vale virginal. Bendiga-Te a engenhosa omnipotência, ó Deus altíssimo, que difundiu tanta virtude, graça e beleza sobre a rosa virginal, a ponto de Tu próprio a desejares.
Bendiga-Te a tua admirável sabedoria, cuja graça abundante fez com que toda a vida de Maria, no seu corpo e na sua alma, fosse conforme à tua dignidade. Bendiga-Te o teu amor forte, sábio e doce, que fez com que Tu, flor e esposo da virgindade, Te tornasses Filho de uma virgem. Rejubilem em Ti, por mim, o mui digno coração e a alma da gloriosíssima Virgem Maria, tua Mãe, que para tal escolheste com vista às necessidades da minha salvação, a fim de que a sua maternal clemência me fosse acessível.
Rejubilem em Ti os fidelíssimos cuidados que tiveste comigo, concedendo-me uma tão poderosa e boa advogada e patrona, por quem posso facilmente obter a tua graça, e em quem, confiadamente o creio, me reservaste a tua eterna misericórdia. Rejubile em Ti este admirável tabernáculo da tua glória, que Te serviu dignamente oferecendo-Te uma habitação sagrada. (Santa Gertrudes de Helfta, 1256-1301, monja beneditina, Exercícios VI, SC 127)
Textos de Padre Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt padre carlos cunha © 2002-2022
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