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Domingo XIX do Tempo Comum - Ano A - 09 de agosto

A BRISA DE DEUS QUE TRAZ PAZ E ALUMIA A VIDA COM A SUA PRESENÇA 

A Tradição da Igreja sempre entendeu o texto do Evangelho deste domingo como um símbolo da Igreja no meio das tempestades do mundo e o apelo de Jesus à confiança e à fidelidade. Recordemos as graves dificuldades que a Igreja está a enfrentar no tempo presente. Desafios que vêm de fora, de um mundo violento, materialista, egocêntrico, fechado aos valores do Espírito; e também dificuldades causadas pelos próprios filhos, muitas vezes marcadas pela mesma violência, materialismo e egoísmo do mundo que nos rodeia. Vemos, assim, que o barco açoitado pelas ondas não é uma mera imagem, mas vai à raiz dos sérios desafios que a Igreja deve enfrentar hoje, devido aos ataques que vêm de fora e às infidelidades que estão dentro. O Evangelho apresenta a figura de Jesus a dominar a tempestade e a exortar à confiança e à fé: “Não tenhais medo”. Recordemos o que Ele nos disse: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. A sua presença é a sua providência sobre a sua comunidade: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar” (Mt 24, 35). As palavras de Jesus apresentam ainda outro pormenor para entender o medo dos discípulos: o medo produzido pelas próprias palavras e pelo Espírito de Jesus. O Evangelho salienta várias vezes que os discípulos “não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar” (Mc 9, 32). O evangelista João narra que muitos discípulos de Jesus o abandonaram por causa do seu modo duro de falar (6, 60). Então Jesus perguntou aos Doze: “Também vós quereis ir embora?” (6, 67), e Pedro resolve a situação com uma confiança excessiva (cf. 6, 68). A linguagem de Jesus é assustadora, sobretudo quando anuncia a sua morte. O próprio Pedro rejeita-o e Jesus repreende-o muito duramente: “Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8,33). “Sou eu, não temais”. Não tenhais medo de mim. É o apelo à confiança diante do imenso e radical amor a Deus. A narração da tempestade acalmada termina com a atitude de Pedro, a sua dúvida e a repreensão de Jesus. Já não fala de medo, mas de dúvida: “Homem de pouca fé, porque duvidaste”? A fé enfrenta sempre o perigo e o desafio da dúvida. Dúvida de quê? A dúvida de uma realidade imaterial e inexplicável que propõe um sentido para a vida e exige uma entrega total. Pedro duvida em fazer a experiência do perdão e do amor; duvida que um dia um mundo justo, pacífico e fraterno possa ser verdadeiro; duvida que Deus seja suficientemente forte ou providente para dar força à nossa fraqueza. Pedro a afundar-se expressa a extrema complexidade da fé. Por um lado, é a sensação de que tudo está a afundar-se debaixo dos seus pés; por outro, a firmeza da presença do Senhor Jesus que estende a mão e o salva. Através de “uma ligeira brisa” o Senhor manifestou-se em Horeb. Neste domingo, somos convidados a interrogar-nos, à luz das leituras bíblicas, onde procuramos Deus. Com tanto barulho à nossa volta (o barulho da televisão, rádio, internet, críticas...), essa missão de encontrar Deus pode tornar-se uma missão impossível. Somos convidados a acalmar por dentro, a deixar para trás a correria, os ruídos, as manchetes dramáticas. O Senhor continua ao nosso lado, continua a implorar pela nossa amizade e pelo nosso amor. Neste domingo, é feita a todos a proposta de uma cura do ruído e da pressa. Com toda a simplicidade, procurar o Senhor nas coisas do dia a dia. Não é tão difícil assim. A leve brisa de que fala o profeta é uma boa pista para iniciar esta busca. Deus é delicado, e quando Ele se torna presente é impossível não reconhecê-Lo. Procuremos Deus na criação. Também é fácil encontrá-lo no cuidado dos filhos ou dos netos, com a família ou os amigos. Na rotina da vida podemos encontrar aquela brisa de Deus que traz paz ao coração e ilumina as nossas vidas com a sua mera presença.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Nós vamos até Vós, A. Mendes, NCT 223; Da paz dos nossos lares, D. Julien, N.C.T. 215; Chegue até Vós, Senhor, F. Santos, NCT 213; Ao nome de Jesus todos se ajoelhem (C. Silva) – OC 444; Apresentação dos Dons: A fé em Deus (F. Silva) – IC 362; Se me envolve a noite escura (M. Luís) – NCT 563; Comunhão: Como é admirável, F. Santos, NCT 257; Senhor, Tu és a luz, A. Oliveira, NCT 273; Senhor, eu creio que sois Cristo (F. Silva) – CEC II 42; O Cordeiro de Deus (C. Silva) – OC 192; Final: Jerusalém, louva (C. Silva) – CT 415; Anunciai no meio de todos os povos (M. Luís) – SR 284. Sugestão de cânticos para a Solenidade da Assunção: Entrada: Ó incomparável alegria M. Luís, NCT 231; Bendita sois Vós, M. Simões, ENPL XIII, 14; Alegrai-vos, Mãe de Jesus (A. Cartageno) – AMG 2; O povo viu um grande sinal (F. Santos) – CEC II 197; Ofertório: Ditosa Virgem, M. Luís, ENPL IX, 5; Rainha dos Anjos Pura (F. Silva) – NCT 253; Comunhão: É celebrada, F. Santos, BML 33, 19; A minha alma glorifica, C. Silva, NCT 279; O trigo que Deus semeou (C. Silva) – OC 193; Hoje a Virgem Maria (M. Luís) – CAC 527; Final: A minha alma glorifica o Senhor (C. Silva) – NCT 563; Com minha Mãe estarei (Popular) – CT 561.

LEITURA ESPIRITUAL

«E fez-se grande bonança» 

O sono de Cristo é um sinal de mistério. Os ocupantes da barca representam as almas que atravessam este mundo agarradas ao madeiro da cruz; por seu turno, a barca é um símbolo da Igreja. Sim, verdadeiramente o coração de cada fiel é uma barca que navega no mar e que não se afundará se o espírito tiver bons pensamentos. Insultaram-te: é o vento que te fustiga. Perdeste a calma: foram as ondas que se levantaram. Surgiu uma tentação: é o vento que sopra. A tua alma está perturbada: são as vagas que se elevam. Acorda Cristo, deixa que Ele te fale. «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?». Quem é Ele? «Dele é o mar, pois foi Ele que o formou»: «por Ele é que tudo começou a existir» (Sl 95,5; Jo 1,3). Imita, pois, os ventos e o mar: obedece ao Criador. O mar mostra-se dócil à voz de Cristo e tu continuas surdo? O mar obedece, o vento acalma-se e tu continuas a soprar? Falar, agitar-se, ter pensamentos de vingança — tudo isto é continuar a soprar e não querer ceder diante da palavra de Cristo. Quando o teu coração se sentir perturbado, não te deixes submergir pelas vagas. Mas se o vento nos virar — porque somos humanos — e acicatar as emoções más do nosso coração, não desesperemos. Acordemos Cristo, para podermos prosseguir a nossa viagem em águas mais calmas. (Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja, Sermão 63)

 

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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