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III Domingo do Tempo Comum | Ano A | 25 janeiro

ILUMINADOS PELA PALAVRA DE DEUS, SEREMOS HOMENS E MULHERES DA PALAVRA 

O 3º Domingo do Tempo Comum é dedicado à Palavra de Deus. O Papa Francisco afirmava: “Dedicar um domingo do ano litúrgico à Palavra de Deus permite-nos fazer com que a Igreja reviva o gesto do Ressuscitado que nos abre o tesouro da sua Palavra para que possamos proclamar esta riqueza inesgotável por todo o mundo”. Compreendemos facilmente a importância da Palavra de Deus na nossa vida, uma vez que é o melhor alimento para uma fé viva e sólida, para uma esperança firme e ativa, para uma caridade sempre ao serviço e para uma oração intensa e transformadora. Por isso, neste domingo temos a oportunidade de renovar a nossa fé em Jesus-Palavra, que continua a proclamar a sua mensagem, ao mesmo tempo, perturbadora e consoladora. Convido-vos a iniciar juntos uma verdadeira peregrinação interior que transforme a nossa vida. Vejamos como devemos começar e para onde a peregrinação nos levará. Como cristãos, espera-se que sejamos pessoas de honestidade humana sólida. Isto deve caracterizar-nos e levar-nos a sermos pessoas honradas pelo nosso espírito de justiça, pela nossa responsabilidade na vida, pelo nosso coração. Se o nosso aspeto humano falhar, a nossa vida cristã cairá por terra. Se queremos deixar uma marca no nosso caminho, devemos pretender sermos pessoas com profunda maturidade humana e possuidores de uma autêntica santidade pessoal. Virtudes cristãs e valores humanos são os que definem o nosso testemunho de vida no mundo. Não basta ser batizado. Temos de procurar ser pessoas em plenitude. Uma pessoa com maturidade é uma pessoa aberta a Deus, à transcendência, mas também aberta ao próximo, ao irmão. O cristianismo é uma realidade salvífica trazida por Cristo. Esta salvação não é fruto do nosso trabalho: a nossa oração e os nossos sacrifícios não têm a capacidade de nos santificar, nem de santificar os outros, sem a mediação e a presença de Cristo. Graças à Palavra, a presença de Cristo na história humana não é apenas uma realidade salvífica “em si mesma”, mas uma realidade que nos salva. Sermos homens e mulheres “da palavra” supõe ter uma relação diária, amorosa e profunda com a Palavra de Deus, à qual devemos dedicar uma parte do nosso tempo, para que possamos gradualmente torná-la nossa e isso permite-nos partilhá-la com os outros. Temos de entender que a Palavra de Deus também é para nós. Somos os seus destinatários. Esta palavra tem algo importante a dizer a cada um de nós. Não nos deve ajudar a ver como a “encaixamos” nos outros, pensando: “o que a Palavra de Deus diz assenta perfeitamente no meu marido, na minha mulher, nos meus filhos, nos meus irmãos...". A Palavra é, sobretudo, para cada um de nós, quando estamos diante dela e lhe abrimos o nosso coração ao que ela nos diz. Desse acolhimento pessoal à Palavra de Deus, dependerá muito a qualidade do que somos e fazemos. Já que somos todos convidados a sermos discípulos de Jesus, esse “ser discípulo” ocupa 24 horas por dia. Não somos cristãos “às vezes”. Somos e devemos ser cristãos todo o dia, sempre. Só acolhendo a Palavra de Deus nos iremos configurando e unindo a Ele. Jesus veio revelar-nos o amor salvífico de Deus. Ele é a palavra definitiva do Pai. Deus não nos comunicou “novas palavras”. A natureza humana de Cristo foi o meio que Deus utilizou para tornar presente a sua Palavra entre nós. O nosso ideal, como cristãos, é tornarmo-nos homens e mulheres de Deus, sem esquecer que a santidade da vida não é apenas um bem pessoal, mas sim um bem para os outros. Somos chamados a ser “sal da terra e luz do mundo” e não podemos ser pessoas que se vangloriam de conhecer Deus e depois negamo-lo com as obras que fazemos. Só confiando a nossa vida nas mãos do Senhor e procurando sempre estar perto dele, podemos tornar-nos homens e mulheres praticamente conquistados pela Palavra, ou seja, homens e mulheres “palavra”, que a tornam presente em casa, na família, nos amigos através das nossas palavras e das nossas ações. Que Deus nos abençoe nesta missão.  

Sugestão de Cânticos
Entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo (F. Santos) – CEC II 16; Caminhando Jesus (C. Silva) – OC 50; Ofertório: Na hóstia sobre a patena, NCT 248; Corpo e Alma, Senhor (M. Faria) – NCT 245; Não fostes vós que me escolhestes (Az. Oliveira) – IC 481; Comunhão: Felizes os convidados, M. Luís, NCT 264; Aproximai-vos do Senhor, F. Santos, ENPL XIII, 12, ou F. Silva, ENPL XI, 27; Eu sou o pão da vida (B. Sousa) – CEC II 20; Fim: Povo teu somos; Recebestes um Espírito (C. Silva) – CEC II 163; Deus é Pai, Deus é Amor (F. Silva) – IC 425.
Leitura Espiritual

«Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens» 

Quando vieram a Ele, eram pescadores de peixe, e tornaram-se pescadores de homens, como está dito: «Eis que agora mandarei chamar muitos pescadores e eles os pescarão; depois disso lhes enviarei muitos caçadores, e eles os caçarão em cada monte e colina e nas cavernas dos penhascos» (Jr 16,16). Se tivesse enviado sábios, dir-se-ia que tinham persuadido o povo, ou que o tinham enganado e aprisionado. Se tivesse enviado ricos, dir-se-ia que tinham enganado o povo, alimentando-o, ou que o haviam corrompido com dinheiro e subjugado. Se tivesse enviado homens fortes, dir-se-ia que tinham atraído o povo pela força ou forçado pela violência. Mas os apóstolos não tinham nada disso. O Senhor mostrou-o a todos através do exemplo de Simão Pedro, a quem faltou a coragem e que teve medo da voz de uma criada; que era pobre, porque não podia sequer pagar a sua quota do imposto (Mt 17,24ss): «não tenho ouro nem prata», disse ele (At 3,6); e que era inculto, uma vez que, quando negou o Senhor, não soube encontrar um estratagema inteligente para o fazer. Estes pescadores de peixes partiram pois pelo mundo, e alcançaram a vitória sobre os fortes, os ricos e os sábios. Que grande milagre! Fracos como eram, atraíram sem violência os fortes para a sua doutrina; pobres, ensinaram os ricos; ignorantes, fizeram discípulos entre os sábios e os prudentes. A sabedoria do mundo deu lugar a esta sabedoria que é a sabedoria das sabedorias. (Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja, Comentário ao Evangelho concordante, 4, 20; SC 121)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
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