JESUS É O CORDEIRO PASCAL, IMOLADO PARA A SALVAÇÃO DE TODOS
Neste domingo, no evangelho de João, encontramos o primeiro título cristológico, com o qual Jesus é apresentado como o Cordeiro de Deus. João Batista apresenta Jesus como um cordeiro, manso e humilde, mas não só como um Cordeiro, mas como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O próprio Deus, através do profeta Isaías, na primeira leitura, fala ao seu Servo e diz-lhe, a ele e a nós: “vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra”. No salmo responsorial, cantamos: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. Jesus foi apresentado como alguém que tem uma missão de Deus e aceita essa missão, obediente a Deus, seu Pai, que determinou toda a sua vida. Nas leituras bíblicas deste domingo, encontramos três afirmações sobre Jesus. A primeira: Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É um nome raro com o qual Jesus é apresentado. Porquê o Cordeiro de Deus? Onde se foi buscar este nome? Certamente recorda o cordeiro da Páscoa, o cordeiro que os israelitas ofereciam como memorial da libertação do Egito, onde todos os primogénitos foram salvos da morte, e como esperança e pedido de salvação futura. Este nome também recorda os cordeiros que os israelitas ofereciam no templo para expiar os seus pecados, para pedir perdão a Deus. Agora, Deus oferece o seu próprio cordeiro, um cordeiro cujo sacrifício e derramamento de sangue concedem a libertação da morte, dá consistência e sentido à vida; este é o cordeiro que Deus oferece na cruz, com o qual nos concede a libertação do pecado. Jesus assume esta identidade e esta missão quando faz suas as palavras do salmo responsorial: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não esconde o pecado, mas remove-o, apaga-o, limpa-o. O sacrifício de Cristo Cordeiro, o perdão de Deus, purifica-nos do pecado. Deus, o Criador, graças ao sacrifício de Cristo, remove, limpa o pecado em nós, para que não só nos restaure para a condição em que fomos criados, mas também nos eleve, para que possamos partilhar a santidade de Deus. A segunda: falar-nos-á da Divindade de Jesus, como da de Deus. João Batista diz: “Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim”. Esta afirmação de João Batista é uma profissão de fé na divindade de Jesus. Embora Jesus tenha vindo, no tempo, depois de João, o Filho de Deus, que se manifestou em Jesus, existiu antes de João e é maior que João. Jesus não é um simples profeta, é o Filho de Deus feito homem. É por isso que lhe tributamos a mesma glória, a mesma honra e a mesma adoração que tributamos a Deus Pai. A ele devemos a mesma obediência e submissão que damos ao Pai. A terceira afirmação apresenta Jesus como o Filho de Deus. Para João, o sinal que lhe permitiu identificar Jesus como o eleito de Deus foi o dom do Espírito Santo que desceu sobre ele em forma de pomba. E João afirma, ainda, que Jesus recebeu o Espírito para o seu e nosso benefício. Recebeu o Espírito para poder batizar com o Espírito Santo. Através de Jesus chega até nós o Espírito de Deus que nos santifica e nos faz filhos adotivos de Deus. Jesus concede-nos o Seu Espírito quando acreditamos nele, quando recebemos os sacramentos, quando estamos integrados na Igreja. Graças ao dom do Espírito, chega até nós o perdão dos pecados, a vitória sobre a morte e o dom da vida eterna, que Jesus nos oferece, sendo o Cordeiro de Deus. A nossa missão é apresentar Jesus como aquele que é a luz das nações, é revelar a natureza missionária da Igreja. Hoje, cabe-nos a nós, como Igreja, sair, sem medos e receios, e oferecer a todos a vida de Jesus Cristo. O Papa Francisco afirmou em diversas ocasiões: é melhor uma Igreja ferida por sair à rua do que uma Igreja doente pelo medo e pelo conforto. Sejamos discípulos e missionários de Cristo, seguindo o exemplo de tantos homens e mulheres que ofereceram toda a sua vida pela proclamação do Evangelho. Que Maria Santíssima nos ajude a levar por diante esta missão. |