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II Domingo Comum | Ano A | 18 janeiro

JESUS É O CORDEIRO PASCAL, IMOLADO PARA A SALVAÇÃO DE TODOS 

Neste domingo, no evangelho de João, encontramos o primeiro título cristológico, com o qual Jesus é apresentado como o Cordeiro de Deus. João Batista apresenta Jesus como um cordeiro, manso e humilde, mas não só como um Cordeiro, mas como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O próprio Deus, através do profeta Isaías, na primeira leitura, fala ao seu Servo e diz-lhe, a ele e a nós: “vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra”. No salmo responsorial, cantamos: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. Jesus foi apresentado como alguém que tem uma missão de Deus e aceita essa missão, obediente a Deus, seu Pai, que determinou toda a sua vida. Nas leituras bíblicas deste domingo, encontramos três afirmações sobre Jesus. A primeira: Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É um nome raro com o qual Jesus é apresentado. Porquê o Cordeiro de Deus? Onde se foi buscar este nome? Certamente recorda o cordeiro da Páscoa, o cordeiro que os israelitas ofereciam como memorial da libertação do Egito, onde todos os primogénitos foram salvos da morte, e como esperança e pedido de salvação futura. Este nome também recorda os cordeiros que os israelitas ofereciam no templo para expiar os seus pecados, para pedir perdão a Deus. Agora, Deus oferece o seu próprio cordeiro, um cordeiro cujo sacrifício e derramamento de sangue concedem a libertação da morte, dá consistência e sentido à vida; este é o cordeiro que Deus oferece na cruz, com o qual nos concede a libertação do pecado. Jesus assume esta identidade e esta missão quando faz suas as palavras do salmo responsorial: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não esconde o pecado, mas remove-o, apaga-o, limpa-o. O sacrifício de Cristo Cordeiro, o perdão de Deus, purifica-nos do pecado. Deus, o Criador, graças ao sacrifício de Cristo, remove, limpa o pecado em nós, para que não só nos restaure para a condição em que fomos criados, mas também nos eleve, para que possamos partilhar a santidade de Deus. A segunda: falar-nos-á da Divindade de Jesus, como da de Deus. João Batista diz: “Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim”. Esta afirmação de João Batista é uma profissão de fé na divindade de Jesus. Embora Jesus tenha vindo, no tempo, depois de João, o Filho de Deus, que se manifestou em Jesus, existiu antes de João e é maior que João. Jesus não é um simples profeta, é o Filho de Deus feito homem. É por isso que lhe tributamos a mesma glória, a mesma honra e a mesma adoração que tributamos a Deus Pai. A ele devemos a mesma obediência e submissão que damos ao Pai. A terceira afirmação apresenta Jesus como o Filho de Deus. Para João, o sinal que lhe permitiu identificar Jesus como o eleito de Deus foi o dom do Espírito Santo que desceu sobre ele em forma de pomba. E João afirma, ainda, que Jesus recebeu o Espírito para o seu e nosso benefício. Recebeu o Espírito para poder batizar com o Espírito Santo. Através de Jesus chega até nós o Espírito de Deus que nos santifica e nos faz filhos adotivos de Deus. Jesus concede-nos o Seu Espírito quando acreditamos nele, quando recebemos os sacramentos, quando estamos integrados na Igreja. Graças ao dom do Espírito, chega até nós o perdão dos pecados, a vitória sobre a morte e o dom da vida eterna, que Jesus nos oferece, sendo o Cordeiro de Deus. A nossa missão é apresentar Jesus como aquele que é a luz das nações, é revelar a natureza missionária da Igreja. Hoje, cabe-nos a nós, como Igreja, sair, sem medos e receios, e oferecer a todos a vida de Jesus Cristo. O Papa Francisco afirmou em diversas ocasiões: é melhor uma Igreja ferida por sair à rua do que uma Igreja doente pelo medo e pelo conforto. Sejamos discípulos e missionários de Cristo, seguindo o exemplo de tantos homens e mulheres que ofereceram toda a sua vida pela proclamação do Evangelho. Que Maria Santíssima nos ajude a levar por diante esta missão.  

Sugestão de Cânticos
Entrada: Toda a terra Vos adore, F. Santos, BML 54, 12; Toda a terra vos adore, Senhor (C. Silva) – CEC I 13; Fiz de ti a luz das nações (C. Silva) – OC 124; Ofertório: Subam até Vós, M. Luís, NCT 250; Eis o Cordeiro de Deus (M. Luís) – CAC 86; Eu venho Senhor (Az. Oliveira) – IC 444; Comunhão: O Senhor é meu pastor, F. Santos; Deus é amor, M. Luís, ENPL X, 25; Eu vim para que tenham vida (F. Silva) – IC 445; Senhor, eu creio que sois Cristo (F. Silva) – CEC II 42; Fim: O amor de Deus, M. Luís, CT 723; O Espírito do Senhor (M. Luís) – CEC II; Senhor, Tu és a luz (Az. Oliveira) – CEC II 182.  
Leitura Espiritual

«Eis o Cordeiro de Deus» 

No Apocalipse, o apóstolo João vê «um Cordeiro. Estava de pé, mas parecia ter sido imolado» (Ap 5,6). À beira do Jordão, João Batista tinha designado Jesus como «o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». O apóstolo João compreendeu estas palavras e compreende agora esta imagem. Aquele que noutros tempos caminhava à beira do Jordão e que Se lhe mostrara de veste branca, com olhos de fogo e com a espada do juiz, Ele que é «o Primeiro e o Último» (Ap 1,17), tinha cumprido com verdade tudo aquilo que os ritos da Antiga Aliança esboçavam simbolicamente. Quando, no dia mais santo e mais solene do ano, o sumo-sacerdote penetrava no Santo dos Santos, o lugar tremendamente santo da presença divina, tinha tomado previamente dois bodes: um para carregar os pecados do povo, a fim de os levar para o deserto, e o outro para aspergir com o seu sangue a tenda e a arca da aliança (Lv 16). Era o sacrifício pelos pecados oferecido pelo povo. A seguir, fazia um holocausto para e por todo o povo, e mandava queimar totalmente os restos da vítima de expiação. Era um dia solene e santo, este dia da Reconciliação. Mas qual era o motor desta reconciliação? Não era o sangue dos animais imolados nem o sumo-sacerdote da descendência de Aarão, como observa a carta aos Hebreus (8-9). Era o último sacrifício da reconciliação, aquele que estava prefigurado em todos os sacrifícios prescritos pela Lei, e era o «sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec» (Sl 110,4). Este era também o verdadeiro Cordeiro pascal, por causa do qual o anjo exterminador passara diante das casas dos hebreus, atingindo apenas as dos egípcios (Ex 12,23). O próprio Senhor o tinha dado a entender aos seus discípulos quando comeu o cordeiro pascal com eles pela última vez e Se deu a Si mesmo a eles em alimento. (Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa, As núpcias do Cordeiro, 14/09/1940)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
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