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Domingo V do Tempo Comum | Ano A | 08 fevereiro

EIS A VOCAÇÃO CRISTÃ: SER SAL E SER LUZ 

Na Sagrada Escritura, estamos habituados a que “a luz” seja como uma parábola que nos fala de Deus. A Bíblia utiliza imagens luminosas para nos falar de Deus. Recordemos algumas: “Brilhe sobre o teu servo a luz da tua face” (Sl 31), “a vossa Palavra, Senhor é luz dos meus caminhos” (Sl 118), “o Senhor é minha luz e minha salvação: a quem hei de temer?” (Sl 26). A luz é uma realidade externa, não a podemos ter entre as nossas mãos, no entanto, ela aquece-nos, envolve-nos, atravessa-nos como Deus, que está perto de nós. Mas nas leituras bíblicas deste domingo temos uma novidade: a luz de que se fala não é a de Deus, mas a do homem e da mulher: o justo é aquele que está inundado pela luz divina, que se torna um archote que brilha e aquece. Esta imagem de luz, referindo-se à pessoa humana, foi tirada do profeta Isaías e do Salmo 111: “Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora… se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia”, “Brilha aos homens retos, como luz nas trevas, o homem misericordioso, compassivo e justo”. A partir destes textos, podemos compreender a influência que tem uma pessoa justa, generosa e construtiva, no meio do gelo e da noite do egoísmo de uma sociedade cada vez mais fechada sobre si mesma. Jesus diz-nos: “Vós sois a luz do mundo”. A nossa celebração litúrgica é uma celebração da luz que devemos irradiar para o mundo através do nosso testemunho de vida. O frio, a indiferença, a escuridão que muitos de nós podemos estar a espalhar é sinal do nosso afastamento da fonte da luz que é o amor de Deus. Uma candeia sem azeite não serve para nada. O mesmo acontece com o sal que perde o seu sabor. Mas o anúncio de Deus não passa apenas pelas palavras, mas também pelas mãos que trabalham a paz, que confortam, que ajudam como as mãos de Cristo, que curava e consolava. Temos de viver a nossa vida sem nos escondermos, sem desaparecermos do olhar dos outros, sem preguiça. A luz que podemos irradiar não pode ser escondida debaixo do alqueire, encobrindo-a para não ser partilhada. Jesus diz-nos: “Vós sois o sal da terra”. O sal tem diversos significados diferentes. Em primeiro lugar, temos de ver o sal como sinal de amizade, da Aliança, da solidariedade. No Antigo Oriente havia o que se chamava um pacto de sal, que consistia numa aliança que não podia ser quebrada. O sal é também um sinal de vida e de sabedoria. Quando encontramos uma pessoa sem entusiasmo, alheia a tudo, dizemos que é uma pessoa insípida, “sem sal”. Quem são as pessoas que deram sabor e iluminaram a vida cristã ao longo dos séculos? Podemos dizer que são os santos. As leituras deste domingo são um maravilhoso convite à santidade. Tomos somos convidados a ser santos. Como? Dando testemunho de Deus com a nossa vida. Foram tantas as pessoas que foram martirizadas, dando a vida pela fé. Pensemos também naquelas que não foram mártires, por exemplo, São Francisco de Assis, que renunciou a todo o bem e a toda a riqueza, porque só Deus e o Evangelho de Jesus foram suficientes para ser plenamente feliz. Ou Santa Teresa de Calcutá, que se despojou de tudo para servir por amor a Deus aqueles que estavam abandonados pela sociedade. Todos viveram para dar glória a Deus com a sua vida e morte. Podemos não ter a graça de dar um testemunho tão forte como o deles e de lançar uma luz tão poderosa, mas todos devemos caminhar para a santidade, dando um testemunho que leve os outros a pensar em Deus. Que o Senhor nos acompanhe neste caminho para a plenitude, a sermos santos, como Ele é Santo.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Vinde, exultemos de alegria, F. Santos, NCT 229; Irmãos, adoremos, M. Faria, NCT 220; Vinde, prostremo-nos em terra (Az. Oliveira) – CEC II 25; Eu venho, Senhor, à Vossa presença (A. Cartageno) – CEC II 77; Ofertório: A Vós, Deus e Senhor, NCT 242; Aquele que por mim chamar (M. Luís) – CAC 134; A Vós, Deus e Senhor (D. Julien) NCT 242; Comunhão: Proclamemos a misericórdia, F. Silva, BML 54, 15; Bem-aventurados sois vós, F. Santos, BML 4, 8; É Cristo quem nos convida (C. Silva) NCT 258; Eu vim para que tenham vida (F. Silva) – IC 445; Fim: Seguros e fortes na fé, F. Silva, NRMS 11/12; Cantai alegremente (M. Luís) – IC 398; Bendito seja Deus, bendito seja (M. Simões) – NCT 282.
Leitura Espiritual

«Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo.» 

Dado que a Igreja é toda ela missionária, e que a obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus, o sagrado Concílio exorta todos a uma profunda renovação interior, para que tomem viva consciência das próprias responsabilidades na difusão do Evangelho e assumam a parte que lhes compete na obra missionária junto dos gentios. Como membros de Cristo vivo e a Ele incorporados, e configurados não só pelo batismo, mas também pela confirmação e pela eucaristia, todos os fiéis estão obrigados, por dever, a colaborar no crescimento e na expansão do seu corpo para o levar a atingir, quanto antes, a sua plenitude (Ef 4,13). Por isso, todos os filhos da Igreja tenham consciência viva das suas responsabilidades para com o mundo, fomentem em si um espírito verdadeiramente católico, e ponham as suas forças ao serviço da obra da evangelização. Saibam todos, porém, que o primeiro e mais irrecusável contributo para a difusão da fé é viver profundamente a vida cristã. Pois o seu fervor no serviço de Deus e a sua caridade para com os outros é que hão de trazer a toda a Igreja o sopro de espírito novo que a fará aparecer como um sinal levantado entre as nações (Is 11,12), como «luz do mundo» (Mt 5,14) e «sal da terra» (Mt 5,13). (Concílio Vaticano II, Decreto «Ad Gentes», sobre a atividade missionária da Igreja, 35-36)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
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