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Ascensão do Senhor - Ano A - 17 de maio 

IDE E SEDE TESTEMUNHAS DO SENHOR RESSUSCITADO 

Neste Domingo da Ascensão do Senhor celebramos a glorificação de Cristo que subiu ao céu. A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, narra-nos a despedida e a partida do Senhor, que desaparece da vista dos seus discípulos, levado por uma nuvem de glória. Segundo o relato de Lucas, os apóstolos ficaram boquiabertos a olhar para o céu, de modo que “dois homens vestidos de branco” lhes disseram que não ficassem naquela atitude passiva. A segunda leitura, da Carta aos Efésios, explica-nos a exaltação que o Pai faz de Cristo ressuscitado, salientando a importância que este acontecimento tem para nós, para que compreendamos “a esperança a que fomos chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes”. O texto do Evangelho de Mateus termina com a ascensão de Jesus, ocorrida num monte na Galileia. Assim como a missão de Jesus começa na Galileia, assim também a Igreja continua a missão de Cristo, iniciando-a no mesmo lugar que Ele, até ao fim do mundo. Os apóstolos veem Jesus subir ao céu e ficam ligados à missão do Reino, tornam-se testemunhas dele. Os quarenta dias indicam a iniciação no mistério pascal. A ascensão de Jesus ao céu é a última aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos. Duas perguntas são feitas, uma dirigida ao Senhor antes de ressuscitar: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel”? e outra dirigida aos apóstolos de todos os tempos: “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu”? A primeira indica que o fim dos tempos ainda não chegou, embora Jesus tenha ressuscitado; e a outra convida-nos a dar testemunho da Palavra com a força do Espírito, ou seja, o regresso de Jesus não será imediato; por isso, agora é o tempo de o testemunhar. No Evangelho, Mateus situa-nos na região da Galileia, num monte. Não é uma coincidência. O menino Jesus viveu na Galileia, depois de regressar do Egito, e o Jesus adulto começa o anúncio do Evangelho a partir da Galileia, porque é um local de encontro de vários povos. Assim, Jesus começa já pregar o Evangelho a todos os povos. Além disso, é o lugar onde Jesus nos convida a ir depois da sua ressurreição. E no monte, onde Jesus tinha ensinado e revelado a sua relação com Deus, envia agora os Onze para ensinar e levar o Evangelho a todos os povos com autoridade, entendida como um dom recebido do Pai, pelo Filho. Na Galileia e num monte, Jesus faz o seu último discurso: os Onze adoram-no, reconhecem que ele é Deus (só Deus pode ser adorado). Em primeiro lugar, Jesus faz uma declaração sobre a sua autoridade universal: “Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra”; Jesus é o rei de todo mundo; por isso o soberano de todo o mundo não é o diabo; O mal nunca pode dominar o mundo. Em segundo lugar, Jesus propõe aos discípulos de todos os tempos que se dirijam a todos os povos; a sua missão deve ser fazer discípulos de Jesus; batizá-los em nome da Trindade, isto é, relacioná-los com a comunhão trinitária (são três, apesar de ser um só: uma diversidade na unidade); e ensiná-los a viver de acordo com o evangelho. E, em terceiro lugar, Jesus faz uma declaração: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. Jesus garante que, como Deus que é (“Eu sou e serei”), nos acompanhará sempre na nossa missão de evangelizar e de transformar o mundo, de lutar contra toda a exploração e todo o tipo de mal. Se a missão de Jesus era anunciar a presença do Reino, a missão apostólica consiste em fazer discípulos de Jesus em todos os povos da terra e ensiná-los a cumprir a mensagem do Reino, com a autoridade recebida de Jesus. A Eucaristia termina sempre com o nosso envio (ide em paz). Vivamos este domingo alegremente, animados em sermos testemunhas do Senhor ressuscitado.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Aclamai Jesus Cristo, F. Silva, NCT 178; Povos, batei palmas (C. Silva) – CEC II 64; Homens da Galileia (M. Luís) – CEC I 168; Ofertório: Jesus, nossa redenção, F. Santos, NCT 540; Aclamai Jesus Cristo (F. Silva) – NCT 178; Cantai um cântico novo (F. Santos) – NCT 191; Comunhão: Eu estou sempre, C. Silva, NCT 354; Ide por todo o mundo, M. Luís, NCT 355; Ide por todo o mundo (J. Santos) – CEC I 171; Final: Porque Ele está connosco (F. Santos) – NCT 571; Diz o Senhor: Ide e ensinai (A. Cartageno) – CEC II 219.

LEITURA ESPIRITUAL

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos 

Aquele que desceu à Terra – e só Ele sabe como -, antes de voltar para o Céu – como? só Ele o sabe -, tomou aqueles que amava e levou-os ao alto de um monte para lhes elevar a cabeça e o espírito. O Senhor, abrindo os braços como asas, cobriu, qual águia, o ninho de que cuidava ternamente (cf. Dt 32,11) e disse aos seus: «Protegi-vos contra todos os males à minha sombra (cf. Sl 90,1): assim como Eu vos amei, amai-Me vós também. Não Me separarei de vós: permaneço convosco, e ninguém poderá fazer-vos mal» (cf. Mt 28,20; Rom 8,31). Com estas palavras, o Senhor provocou grande dor nos seus apóstolos. Talvez tenham até chorado, dizendo: «Vais abandonar-nos, vais separar-Te daqueles que Te amam? Isso angustia-nos, porque o nosso maior desejo é estar sempre contigo. Procuramos o teu rosto; não há outro Deus além de Ti (cf. Sl 26,8; Is 45,5). Não Te afastes daqueles que Te amam, fica connosco e diz-nos: “Não Me separarei de vós: permaneço convosco, e ninguém poderá fazer-vos mal”». Vendo a dor daqueles que O amavam, o Senhor consolou-os como um pai consola os filhos: «Não choreis, amigos, porque não estamos em tempo de lágrimas. Esta é a hora da minha alegria; para ir ter com meu Pai, tomo asas e repousarei na minha tenda (cf. Sl 138,9), pois fiz do firmamento do céu uma tenda, como diz Isaías: “Deus formou o céu como uma abóbada e como uma tenda onde Ele habita” (Is 40,22), Deus, que diz aos seus: “Não Me separarei de vós: permaneço convosco, e ninguém poderá fazer-vos mal”». «Por isso, estai alegres e radiosos, tende um ar feliz, “cantai um cântico novo” (Sl 97,1), pois tudo aquilo que vai chegar, chega para vós. Eu desci do Alto por amor a vós, e andei pela Terra para vos agradar e ser acolhido por vós. É também por amor a vós que volto para o Céu, a fim de dispor do lugar onde estarei convosco, pois “em casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14,2). Vou, pois, preparar-vos uma morada para vos receber e não Me separarei de vós: permaneço convosco, e ninguém poderá fazer-vos mal». (São Romano, o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos, Hino 48 para a ascensão, 2-4, 7-8; SC 283)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
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