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Domingo XXI do Tempo Comum - Ano A - 23 de agosto

A IGREJA CONSTRÓI-SE SOBRE A FÉ O AMOR DE TANTAS PESSOAS 

O episódio, que é narrado no texto evangélico deste domingo, e que terminará no próximo domingo, é fundamental para os textos sinóticos, especialmente em Marcos e Mateus. Depois de um tempo de pregação e de ação de Jesus e de lidar com os seus discípulos, pergunta-lhes: “Quem dizeis que eu sou”? Ainda hoje, a figura de Jesus provoca a mesma questão entre os cristãos e entre aqueles que têm um mínimo de sensibilidade espiritual. E damos conta de que a questão não é “o que este homem diz” ou “o que ele faz”, mas “quem é ele”. Hoje várias respostas podem ser encontradas, entre os investigadores e peritos e entre as pessoas comuns: ele é um judeu marginal, um revolucionário, um reformador ético... De entre os seus companheiros, Pedro toma a palavra e enuncia o que é a profissão de fé cristã. “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Nesta expressão de Mateus já podemos encontrar os dois aspetos da fé cristológica cristã. 1. “O Filho do Deus vivo”. A raiz e o núcleo do mistério de Jesus são a sua filiação divina, já manifestada no batismo. Para a fé cristã, a primeira e fundamental razão da novidade, em Jesus, reside na sua íntima comunhão com o Pai, dom do Espírito, de quem tudo recebe e a quem se entrega totalmente. Eis a raiz da sua vida, da sua Palavra, do seu Amor, da sua entrega à morte, da sua ressurreição e ascensão à plena comunhão com o Pai. 2. “Tu és o Messias”. Jesus Cristo, Filho de Deus, é o Salvador. Ele é o Filho que participou da nossa natureza humana, simples e humilde, até à entrega total no amor, que abriu a toda a humanidade o caminho da plenitude da vida. A resposta de Pedro contém toda a confissão da fé cristã. Não foi fácil, porém, para os discípulos, especialmente para Pedro, compreender o sentido último desta profissão de fé, como leremos no próximo domingo. A reação de Jesus, às palavras de Pedro, também tem dois aspetos importantes. O primeiro é o seguinte: “Feliz de ti, Simão… porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus”. Pedro não chegou à fé por reflexões ou deduções humanas. A fé de Pedro é dom de Deus. E aqui está um dos aspetos próprios da experiência cristã. A nossa fé de hoje e a de todas as comunidades cristãs é dom do Pai que conduz a sua Igreja pelos caminhos da fidelidade e do amor. No entanto, a palavra de Jesus evoca outro aspeto, também muito importante. A fé em Jesus não é apenas um dom do Pai; é o verdadeiro dom de Deus. Falamos muitas vezes de Deus e do seu mistério de amor pela humanidade, e perguntamo-nos quais são os sinais do seu dom amoroso. Esta é a resposta cristã: o dom de Deus na humanidade é acreditar no Senhor Jesus, morto e ressuscitado. Os outros dons da sua misericórdia recebem sentido no contexto do dom que é Jesus. O dom amoroso de Deus na humanidade consiste em que os homens e as mulheres do mundo adiram ao Espírito do Senhor, creiam em Jesus e, assim, encontram a vida. O segundo aspeto na resposta de Jesus é o seguinte: “Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. As palavras de Jesus levam-nos a um novo aprofundamento do mistério da Igreja. Na base de tudo isto encontramos a afirmação de São Paulo: “esse rochedo era Cristo” (1Cor 10, 4). E é porque Ele foi considerado fiel ao Pai, como Filho e Salvador. E Jesus anuncia que a sua Igreja está edificada sobre a rocha corajosa da fé de Pedro. No próximo domingo, veremos que a fé de Pedro ainda é ao modo como “os homens pensam” (Mt 16, 23) e deve ser purificada. Da mesma forma que, após a ressurreição do Senhor, Pedro reconhecerá a fraqueza da sua doação, manifestando o seu amor três vezes, compensando assim as três negações na noite da paixão. A fé e o amor de Pedro terão de ser purificados até à fidelidade plena, no martírio. A Igreja já não se constrói sobre carne e osso, mas sobre a fé e o amor de pessoas de todas as línguas, povos, tribos e nações. Aqui, na terra, a Igreja é o eco do dom celeste. Jesus promete a Pedro e aos Doze que as suas determinações sobre a terra terão ressonância no céu, de modo que a fé e o amor formam já agora o Reino eterno do amor de Deus iniciado na simplicidade e na fraqueza das comunidades cristãs.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Escutai, Senhor, NCT 88; Irmãos, adoremos, NCT 220; Ide ao encontro do Senhor (M. Simões) – CT 20; Aclamai Jesus Cristo (F. Silva) – IC 319; Apresentação dos Dons: A Vós, Deus e Senhor (D. Julien) – NCT 242; Na hóstia sobre a patena (B. Salgado) – IC 480; Comunhão: Felizes os convidados, NCT 264; Formamos um só corpo, NCT 265; Somos todos convidados, NCT 276; Senhor, eu creio que sois Cristo (F. Silva) – CEC II 42; Nós somos as pedras vivas (M. Luís) – CAC 470; Final: Jesus Cristo, ontem e hoje (A. Cartageno) – CEC I 72; Cantarei eternamente (M. Luís) – NCT 388.

LEITURA ESPIRITUAL

«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» 

Cristo, ao instituir os Doze, «deu-lhes a forma dum corpo colegial, quer dizer, dum grupo estável, e colocou à sua frente Pedro, escolhido de entre eles». «Assim como, por instituição do Senhor, Pedro e os outros apóstolos formam um só colégio apostólico, assim de igual modo o pontífice romano, sucessor de Pedro, e os bispos, sucessores dos apóstolos, estão unidos entre si». Foi só de Simão, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta e instituiu-o pastor de todo o rebanho (cf. Jo 21,15ss.). «Mas o múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, também foi dado, sem dúvida alguma, ao colégio dos apóstolos unidos ao seu chefe». Este múnus pastoral de Pedro e dos outros apóstolos pertence aos fundamentos da Igreja e é continuado pelos bispos sob o primado do Papa. O Papa, bispo de Roma e sucessor de São Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade, que liga entre si tanto os bispos como a multidão dos fiéis». Com efeito, em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer». «O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o pontífice romano, como sua cabeça». Como tal, este colégio é «também sujeito do poder supremo e pleno sobre toda a Igreja, poder que, no entanto, só pode ser exercido com o consentimento do pontífice romano». «O colégio dos bispos exerce de modo solene o poder sobre toda a Igreja no concílio ecuménico». Mas «não há concilio ecuménico se não for, como tal, confirmado, ou pelo menos aceite, pelo sucessor de Pedro». «Pela sua múltipla composição, este colégio exprime a variedade e a universalidade do povo de Deus; enquanto reunido sob uma só cabeça, revela a unidade do rebanho de Cristo». Referências: Vaticano II, Lumen Gentium, 22-23. (Catecismo da Igreja Católica, 880-885)

 

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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