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Domingo XVIII do Tempo Comum - Ano A - 02 de agosto

“Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome”. 

Neste domingo, ouvimos esta frase no salmo responsorial. Resume as leituras bíblicas deste domingo: o dom do Senhor é abundante e generoso. O profeta Isaías fala deste dom de Deus como um banquete, para o qual são convidados, especialmente, todos aqueles que têm fome e sede. No banquete, são oferecidos os alimentos mais elementares, como o pão e a água, mas também outros mais comuns numa festa, como o leite e o vinho. É importante não esquecer que esta mensagem do profeta é transmitida, apesar das infidelidades que foram aparecendo ao longo da história de Israel. Como isto nos dá muita esperança! Deus nunca se esquece das suas promessas e está disponível a renovar e a manter o seu compromisso com o seu povo. Não importa por onde andámos; o mais importante é que estamos aqui e Deus continua disposto a receber-nos de braços abertos. A imagem do banquete de Isaías é muito semelhante ao milagre da multiplicação dos pães, que encontramos no evangelho. Jesus compadeceu-se daquelas pessoas que estavam junto Dele; uns por curiosidade; outros, para lhe pedir que os curasse; outros, por outros motivos. Os discípulos queriam despedir as pessoas para que fossem “às aldeias comprar alimento”. Mas Jesus diz: “não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”; pede-lhes que resolvam o problema de matar a fome àquela gente, mas só tinham cinco pães e dois peixes. Pão e peixe, os alimentos habituais das pessoas da Galileia. Chegou o momento de Jesus entrar em ação. Manda sentar a multidão na erva, pronuncia a bênção sobre o pouco que têm, “partiu os pães e deu-os aos discípulos, e os discípulos deram-nos à multidão. E o milagre aconteceu, gratuitamente. É necessário estar presente para escutar a sua voz e estar atento à sua vontade para nos saciarmos com esta abundância de bens e de vida. A primeira leitura é a promessa do que acontece no evangelho, mas também da nossa missão. Também nós nos alimentamos com esta Eucaristia, este dom que pedimos na oração do Pai-Nosso e que é mais do que o alimento material: é Ele próprio que se nos dá como alimento. Na segunda leitura, São Paulo louva o Senhor por tudo o que Deus concedeu à humanidade, em Jesus Cristo, através da sua entrega por amor, um amor tão forte que nada nem ninguém o pode destruir. A lista dos sofrimentos (a fome, a nudez, o perigo, a espada) pode ser completada com os que temos ou já tivemos. A conclusão é sempre a mesma. É evidente que a esperança cristã não resolve os problemas, mas dá-nos coragem para enfrentar todas as dificuldades. Não estamos abandonados, mas estamos nas mãos Daquele que pode vencer todos os obstáculos e que nos ama, a maior força que poderemos ter. Este dom que Deus nos concede é para se repartir. Como os discípulos receberam de Jesus os pães e os peixes benzidos para os distribuir pela multidão; assim também, o Senhor os enviou, depois da ressurreição, para que a Boa Nova chegasse até aos confins da terra. Agora, somos nós os enviados. As palavras “Ide em paz” convida-nos, hoje, ao “dai-lhes vós, agora, de comer”.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Deus, vinde em nosso auxílio, F. Silva, ENPL XIV, 29 = NCT 87; Chegue até vós, F. Santos, NCT 213; Comunhão: Eu sou o pão da vida, B. Sousa, NCT 262; Eu sou o Pão vivo, C. Silva, NCT 263.

LEITURA ESPIRITUAL

Tomou os cinco pães, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu-os aos discípulos. 

Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isto é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos do Apóstolos: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão, e às orações» (2,42). Na «fração do pão», é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois, continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E, ao fazê-lo na celebração eucarística, os olhos da alma voltam-se para o Tríduo Pascal: para o que se realizou na noite de Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia, e nas horas sucessivas. A agonia no Getsémani foi o prelúdio da agonia na cruz de Sexta-feira Santa: a hora santa, a hora da redenção do mundo a hora da glorificação. Até àquele lugar e àquela hora se deixa transportar em espírito cada presbítero ao celebrar a Santa Missa, juntamente com a comunidade cristã que nela participa. Mysterium fidei! – «Mistério da fé!». Quando o sacerdote pronuncia ou canta estas palavras, os presentes aclamam: «Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!». Com estas palavras ou outras semelhantes, a Igreja, ao mesmo tempo que apresenta Cristo no mistério da sua Paixão, revela também o seu próprio mistério: «Ecclesia de Eucharistia». Se é com o dom do Espírito Santo, no Pentecostes, que a Igreja nasce e se encaminha pelas estradas do mundo, um momento decisivo da sua formação foi certamente a instituição da Eucaristia no Cenáculo. O seu fundamento e a sua fonte é todo o Triduum Paschale, mas este está de certo modo guardado, antecipado e «concentrado» para sempre no dom eucarístico. Neste, Jesus Cristo entregava à Igreja a atualização perene do mistério pascal. (São João Paulo II (1920-2005), papa, Encíclica «Ecclesia de Eucharistia», 3-5)

 

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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