NO JORDÃO, DEUS TRINO MANIFESTA-SE COMO MISTÉRIO DE AMOR
Com a celebração da festa do Batismo do Senhor, concluímos o Tempo de Natal e iniciamos o Tempo Comum. Mas o Natal não acaba aqui. A finalidade de celebrar o mistério do Natal é a seguinte: se Deus desceu à Terra é porque nós podemos chegar ao céu. E esta promessa de Deus não termina, mas continua durante toda a celebração do mistério salvífico de Jesus durante todos os domingos do ano litúrgico. O Natal revelou-nos o desejo de Deus de oferecer à humanidade a sua vida divina, uma vida em plenitude, cheia de amor, de felicidade. O Natal que celebrámos faz-nos descobrir que a maior aspiração humana está na vida de Deus. Este é o admirável intercâmbio do Natal: Deus faz-se homem para que o homem se converta em Deus. Este é o caminho que continuamos a percorrer de mãos dadas com a celebração do domingo, onde Cristo nos convoca como comunidade. No entanto, perante o grande plano de Deus, podemos perguntar-nos se o homem merece o céu desta forma, de maneira automática, livremente. Não seria uma injustiça, perante tanto mal, violência e engano como vemos na terra, dizer: “Agora todos vão para o céu”? Como se nada tivesse acontecido! Todos irão gozar da felicidade eterna? Ora, hoje temos a resposta: é evidente que não! Todos os homens e mulheres não mereciam esta felicidade. Porquê? Por causa do pecado, da desobediência do homem ao plano de Deus. Por esta razão, Jesus vem à terra para fazer justiça, para abrir as portas do amor e da vida a toda a humanidade imersa no pecado e na escravidão. Como? De que maneira? Descendo as águas do Jordão, onde os pecadores entravam e integrando a fila de espera para se banhar. Jesus entra nestas águas, chama a si toda a miséria da humanidade e limpa-a com o seu sangue. É por isso que João se escandaliza: que fazes, Jesus? Por que estás na fila dos pecadores? Tu és santo! Uma vez, uma freira contemplativa foi à polícia fazer uma queixa. Na sala de espera, viu-se no meio de suspeitos de crimes e comentou: “Entendi Jesus na fila no rio Jordão”. É por isso que João resiste, está escandalizado. Não se pode amar à distância. Jesus encurta distâncias, molha-se, quer libertar-nos do nosso orgulho, da nossa maldade, como se sofresse a paixão. Fala da paixão do seu batismo. E Jesus responde: “Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça”. E em que consiste esta justiça? Fazer o que Deus, seu Pai, quer: que se molhe, que se identifique com a humanidade, com a sua condição vulnerável. Ele quer que o seu Filho percorra o caminho da dor e da humilhação para abrir um caminho para o céu para aqueles que se arrependem dos seus pecados. Porque desta forma todos nós nos identificamos com a sua divindade. Ele é o servo de Deus, anunciado pelo profeta Isaías, que, como um cordeiro levado ao matadouro, aceita a missão que lhe foi confiada pelo Pai. Finalmente, como nos diz o evangelho, João aceita a missão de Jesus. Batiza-O. De seguida, a voz do Pai, acompanhada pela presença do Espírito Santo, ratifica a missão do Filho de Deus: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. Isto é tudo o que recebemos agora com as águas santificadas pelo amor de Deus que aconteceu no batismo de sangue de Jesus na cruz. Deus oferece-nos a vida através da morte do seu Filho, assumindo Ele próprio a nossa iniquidade. Esta é a permuta de Natal. Aceitas? . |