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Batismo do Senhor | Ano A | 11 janeiro

NO JORDÃO, DEUS TRINO MANIFESTA-SE COMO MISTÉRIO DE AMOR 

Com a celebração da festa do Batismo do Senhor, concluímos o Tempo de Natal e iniciamos o Tempo Comum. Mas o Natal não acaba aqui. A finalidade de celebrar o mistério do Natal é a seguinte: se Deus desceu à Terra é porque nós podemos chegar ao céu. E esta promessa de Deus não termina, mas continua durante toda a celebração do mistério salvífico de Jesus durante todos os domingos do ano litúrgico. O Natal revelou-nos o desejo de Deus de oferecer à humanidade a sua vida divina, uma vida em plenitude, cheia de amor, de felicidade. O Natal que celebrámos faz-nos descobrir que a maior aspiração humana está na vida de Deus. Este é o admirável intercâmbio do Natal: Deus faz-se homem para que o homem se converta em Deus. Este é o caminho que continuamos a percorrer de mãos dadas com a celebração do domingo, onde Cristo nos convoca como comunidade. No entanto, perante o grande plano de Deus, podemos perguntar-nos se o homem merece o céu desta forma, de maneira automática, livremente. Não seria uma injustiça, perante tanto mal, violência e engano como vemos na terra, dizer: “Agora todos vão para o céu”? Como se nada tivesse acontecido! Todos irão gozar da felicidade eterna? Ora, hoje temos a resposta: é evidente que não! Todos os homens e mulheres não mereciam esta felicidade. Porquê? Por causa do pecado, da desobediência do homem ao plano de Deus. Por esta razão, Jesus vem à terra para fazer justiça, para abrir as portas do amor e da vida a toda a humanidade imersa no pecado e na escravidão. Como? De que maneira? Descendo as águas do Jordão, onde os pecadores entravam e integrando a fila de espera para se banhar. Jesus entra nestas águas, chama a si toda a miséria da humanidade e limpa-a com o seu sangue. É por isso que João se escandaliza: que fazes, Jesus? Por que estás na fila dos pecadores? Tu és santo! Uma vez, uma freira contemplativa foi à polícia fazer uma queixa. Na sala de espera, viu-se no meio de suspeitos de crimes e comentou: “Entendi Jesus na fila no rio Jordão”. É por isso que João resiste, está escandalizado. Não se pode amar à distância. Jesus encurta distâncias, molha-se, quer libertar-nos do nosso orgulho, da nossa maldade, como se sofresse a paixão. Fala da paixão do seu batismo. E Jesus responde: “Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça”. E em que consiste esta justiça? Fazer o que Deus, seu Pai, quer: que se molhe, que se identifique com a humanidade, com a sua condição vulnerável. Ele quer que o seu Filho percorra o caminho da dor e da humilhação para abrir um caminho para o céu para aqueles que se arrependem dos seus pecados. Porque desta forma todos nós nos identificamos com a sua divindade. Ele é o servo de Deus, anunciado pelo profeta Isaías, que, como um cordeiro levado ao matadouro, aceita a missão que lhe foi confiada pelo Pai. Finalmente, como nos diz o evangelho, João aceita a missão de Jesus. Batiza-O. De seguida, a voz do Pai, acompanhada pela presença do Espírito Santo, ratifica a missão do Filho de Deus: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. Isto é tudo o que recebemos agora com as águas santificadas pelo amor de Deus que aconteceu no batismo de sangue de Jesus na cruz. Deus oferece-nos a vida através da morte do seu Filho, assumindo Ele próprio a nossa iniquidade. Esta é a permuta de Natal. Aceitas? .

Sugestão de Cânticos
Entrada: Erguei-vos que vem o Senhor, F. Silva, NCT 457; Comunhão: Formamos um só corpo, NCT 265; Final: Povo Teu Somos, ó Senhor, NCT 360 .  
Leitura Espiritual

Descemos com Cristo para nos reerguermos com Ele, cheios de luz 

Não posso conter a minha alegria, o meu espírito exulta e salta de gozo. Quase me sinto movido pelo mesmo ardor de João a anunciar a boa nova. É verdade que não sou o Precursor, mas venho do deserto como ele. Cristo foi iluminado, resplandeçamos com Ele. Cristo foi batizado, desçamos com Ele para com Ele podermos voltar a erguer-nos. João batiza e Jesus avança, para santificar o Batista. Ele vem mergulhar o velho Adão por completo nas águas e, antes disso – e para isso -, santificar as águas do Jordão. O Batista recusa e Jesus insiste. A lamparina diz ao Céu, a voz diz ao Verbo, o amigo diz ao Esposo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti»; e Jesus responde: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». Jesus entra nas águas levando o mundo consigo, e elevando-o quando sai, e vê o Céu aberto, esse Céu que Adão tinha fechado para si e para os seus, esse paraíso que estava como que selado por uma espada de fogo. E o Espírito dá testemunho da sua divindade, acorrendo ao seu semelhante, ao mesmo tempo que uma voz desce do Céu, pois foi do Céu que veio Aquele a quem está a ser prestada homenagem. Hoje, celebrando o batismo do Senhor com grande alegria, purifiquemo-nos. Não há coisa mais agradável a Deus que a salvação dos homens e a sua conversão, que é o ponto alto dos ensinamentos e dos mistérios. Assim será se fordes uma luz no mundo, uma força vital para todos os homens, e pequenas luzinhas em volta de Cristo, que é a grande Luz, refletindo na vossa face o seu esplendor celeste. (São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja, Sermão 39, 14-16,20 ; PG 36, col. 350-354)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
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