| Domingo V da Páscoa - Ano A - 03 de maio
VER JESUS É VER DEUS FACE A FACE
Neste domingo, a Primeira Carta de Pedro convida-nos a olhar para a imagem do Povo de Deus, como propriedade adquirida por Deus. E, ao interpretar o Antigo Testamento a partir de Jesus Cristo, identifica a pedra angular que Deus coloca em Sião com Jesus Cristo, e a propriedade adquirida por Deus, que foi “escolhida e preciosa aos olhos de Deus”, com a Igreja. A ação salvadora de Deus tinha transformado as tribos de Israel, escravas do Egito, num povo santo e num reino sacerdotal. Ora, a ação de Deus em Jesus Cristo, através do batismo, converte alguns dispersos e escravos – que não eram do povo – em Povo de Deus, povo adquirido por Deus, para que seja um povo entregue a Deus pela fé em Jesus Cristo, que é a pedra angular do edifício, que é a casa do Espírito Santo (ou templo espiritual), que é constituído pelas pessoas batizadas na fé em Jesus Cristo. No Evangelho, Jesus anuncia a sua despedida. Começa a despedir-se dos seus discípulos com um convite a acreditar, a confiar. E temos a explicação do motivo pelo qual Pedro agora não pode ir para onde Jesus vai e dois diálogos de Jesus: um com Tomé sobre o caminho para o Pai e outro com Filipe sobre a identidade divina de Jesus, centrada na afirmação: “Quem Me vê, vê o Pai”. Pedro manifestou o seu desejo de seguir Jesus para todo o lado; chegou mesmo a afirmar que está disposto a dar a vida para seguir Jesus. Mas Pedro só irá depois de testemunhar que ama Jesus. Um amor que brota da fé. É por isso que Jesus começa com um convite à fé. Se agora os discípulos não podem segui-Lo, devem continuar a apoiar-se no amor por Ele, assim como o crente é apoiado no amor de Deus. Jesus volta à casa do Pai para preparar para eles um lugar, não um espaço, mas uma existência de amor com Ele e com o Pai. A fé mostra a casa do Pai, a festa com o Pai, e por sua vez convida a olhar para Jesus, o caminho que leva a Ele, que consiste em segui-Lo, amá-Lo e amar os outros e tudo o resto. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”. Jesus é o caminho para o Pai. Jesus é a luz e a verdade que nos leva até lá. Por isso, façamos nossa a pergunta de Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho”? Se acreditarmos que Jesus é a Verdade e a Vida, certamente encontraremos n'Ele o caminho que nos leva ao Pai, para onde Ele regressa e onde Ele já está. Filipe ajuda-nos a observar a relação entre Jesus e o Pai. Jesus é Deus feito homem, a sua humanidade é o caminho, a porta para o Pai. Só seremos como Deus se nos unirmos a Jesus pela fé, que é amor. Através de um ato de fé, devemos confessar que Jesus está no Pai e o Pai Nele. Com os olhos da fé vemos o que os nossos olhos não veem. Jesus sacia a nossa busca de Deus. Se quisermos procurar a Deus, olhemos para Jesus. A busca de Deus é a busca de cada crente. Agora sabemos que ver Jesus é ver Deus face a face! Na Eucaristia, Jesus introduz-nos no mundo divino, para que, quando um dia lá chegarmos, não nos sintamos estranhos ou estrangeiros. É por isso que a Eucaristia é uma ação de graças e, ao mesmo tempo, uma confissão de fé: damos graças a Deus por nos ter feito participar na sua divindade e confessamos que é graças ao seu Filho e ao nosso irmão Jesus que fazemos esta experiência. |