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Domingo de Pentecostes - Ano A - 24 de maio 

O PENTECOSTES É O DOM DA PÁSCOA DO SENHOR: O ESPÍRITO SANTO, DADO PELO PAI E PELO FILHO À IGREJA 

O Pentecostes encerra o tempo pascal que iniciamos com a Vigília Pascal. Podemos afirmar que todo o tempo pascal é o tempo do Espírito Santo. Neste domingo, celebramos os cinquenta dias de festa e de alegria pela ressurreição de Cristo, que atinge a sua plenitude com a vinda do Espírito Santo. Podemos dizer que o Pentecostes é o “dom da Páscoa do Senhor”, que é o Espírito, dado pelo Pai e pelo Filho à Igreja, e que nos dá a alegria de celebrar o mistério pascal. É a presença da terceira pessoa da Santíssima Trindade no coração daqueles que receberam a iniciação cristã através do sacramento do batismo e da confirmação. O Espírito Santo permite-nos respirar a alegria da fé nas celebrações litúrgicas da Páscoa e durante todo o ano litúrgico. O Espírito brota no contexto da festa de Pentecostes. Durante esta festa, os judeus recordam a Lei, dada no Sinai, e a aliança com Deus, ou seja, recordam a constituição do Povo. Neste domingo, o evangelista Lucas narra-nos o momento em que foi fundada a Igreja. Agora, o Espírito une muitos povos em Jesus Cristo. A diversidade é fruto do Espírito e não é um problema para a unidade. Assim, o Pentecostes representa o batismo da Igreja. O facto de os representantes dos povos, então conhecidos, terem ouvido o Evangelho proclamado na sua própria língua é sinal de que o Espírito define a Igreja pelo Evangelho a anunciar a todos os povos da terra, mas também pela comunhão que cria entre os convocados, que são enviados. São Paulo recorda-nos que, na Eucaristia, somos um só corpo, com membros diversos e vários dons e serviços, todos unidos num só Espírito. Há um Espírito para o bem de todos, assim como há um só Senhor e um só Deus, porque a unidade não exclui a diversidade. Jesus ficará sempre presente na comunidade, pelo Espírito que nos foi dado, e no mundo pela missão dos discípulos. Enquanto Lucas coloca a receção do Espírito no Pentecostes, o Evangelho de João coloca-a na tarde do dia da Páscoa. Ambas as tradições relacionam a receção do Espírito com a missão de Jesus e dos seus discípulos e com a atualização do Evangelho, que dá vida para sempre. Jesus, antes de subir ao céu, confia uma missão aos seus discípulos. Do Pai, Jesus glorificado dá-lhes o Espírito, que os acompanhará sempre, os ajudará a recordar e a compreender tudo o que Ele disse e fez, os guiará na missão e os conduzirá ao Pai. Jesus recebeu do Pai a missão de levar o amor de Deus a todos e confia esta missão aos discípulos. Assim, os discípulos recebem de Jesus a missão do Pai. Se antes era o Pai que enviava Jesus, agora é Jesus quem nos envia. Assim, a missão de Jesus continua através de nós, seus discípulos. Por isso, o Espírito Santo é-nos dado para cumprir a missão recebida do Pai por Jesus e, por sua vez, para tornar presente no mundo – através do dom do perdão – o dom da paz e da vitória sobre o mal. O dom do perdão dos pecados e o dom do Espírito são inseparáveis: com o perdão nasce uma nova vida, oferece-se uma nova oportunidade. O Espírito é dado com um gesto de Jesus: “soprou sobre eles”. O mesmo gesto de Deus ao criar um ser humano: “Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida”. O Espírito recebido infunde a vida de Deus. Com o dom do Espírito, nascemos para a vida do Reino e podemos adorar o Pai. O primeiro efeito do dom do Espírito é nascer de novo ou do alto, ou seja, participar na vida de Deus, em comunhão com Deus e com os pobres e uns com os outros em Jesus Cristo, e certamente este efeito é acompanhado pelo perdão, sinal de vitória sobre o pecado e a morte. Peçamos a Deus Pai que o Espírito nos acompanhe na missão de transformar os corações e o mundo.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: O Espírito do Senhor, F. Santos, NCT 180; O Espírito do Senhor, M. Luís, NCT 377, CEC I 181; O amor de Deus foi derramado (F. Santos) – CEC I 174; Sequência: Veni Sancte Spiritus, c. gregoriano, NCT 203; Aclam. ao Ev.: Vinde, Espírito Santo, NCT 188; Ofertório: Espírito Criador, F. Santos, NCT 179; Veni Creator, C. greg., NCT 204; Vem Criador, F. Santos, NCT 541; Vinde Espírito divino, M. Luís, NCT 543; Apareceram línguas de fogo, F. Santos, NCT 544; Quando chegou, F. Santos, NCT 546; Vinde Espírito Santo, F. Santos, NCT 547; Todos ficaram cheios do Espírito Santo (M. Luís) – CEC I 186; Vem, Espírito de amor (Taizé) – RJ 69; Comunhão: O Espírito que procede, M. Luís, NCT 196; Formamos um só Corpo (C. Silva) – CT 405; Enviai sobre nós, Senhor (A. Mendes) – CEC I 190; Fim: O amor de Deus, M. Luís, NCT 388; Ressuscitou, aleluia!, A. Cartageno, NCT 200; Aleluia! Louvor a Vós, ó Cristo, M. Luís, NCT 168; Só no Espírito de Deus (C. Silva) – OC 244; Somos testemunhas de um mundo novo (J. Santos) – IC 343.

LEITURA ESPIRITUAL

Receber o Espírito Santo cheios de gratidão 

Quando líamos no evangelho que o Senhor deu o Espírito Santo aos seus discípulos soprando sobre eles (cf. Jo 20,22), Gertrudes suplicou ao Senhor com instante devoção que Se dignasse, na sua liberalidade, dar-lhe, também a ela, o Espírito de onde decorre toda a suavidade. O Senhor respondeu-lhe: «Se desejas receber o Espírito Santo, tens primeiro, como fizeram os meus discípulos, de Me tocar no lado e nas mãos» (cf. Jo 20,27). Com estas palavras, ela compreendeu que, para receber o Espírito Santo, é preciso tocar no lado do Senhor, ou seja, considerar com gratidão o amor do Coração divino, pelo qual Ele nos predestinou desde toda a eternidade para sermos seus filhos e herdeiros do seu reino, e também como Ele nos preveniu com benefícios infinitos, a despeito da nossa indignidade, e nos seguiu com a sua graça, a despeito da nossa ingratidão; é preciso ainda tocar as mãos do Senhor, ou seja, recordar com gratidão cada um dos atos pelos quais Ele sofreu por nosso amor durante trinta anos para consumar a nossa redenção, especialmente na sua Paixão e na sua morte. Quem assim fizer, quando for inflamado por este pensamento e por esta gratidão, ofereça a Deus todo o seu coração para agradar à vontade divina, em união com o amor que levou o Senhor a dizer: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós», de maneira que não queira nem deseje nada senão a soberana vontade de Deus. Quem assim se comportar receberá indubitavelmente o Espírito Santo, o Paráclito, com os mesmos sentimentos com que os apóstolos O receberam, pelo sopro do Filho de Deus. (Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301), monja beneditina, «O Arauto», Livro IV, SC 255)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
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