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Domingo III da Páscoa Ano A 19 de abril

A EUCARISTIA É O PONTO DE ENCONTRO DA IGREJA DO RESSUSCITADO E O PONTO DE PARTIDA DA MISSÃO 

O texto evangélico deste domingo narra a viagem de dois discípulos de Jesus para uma cidade chamada Emaús, conversando entre si sobre o que tinha acontecido em Jerusalém. Quando eles se afastam de Jerusalém, Jesus aproxima-se e junta-se a eles, mas, de início, eles não O reconhecem. E quando O reconhecem ao partir o pão, regressam a Jerusalém, onde os Onze estão reunidos, e onde dois factos são partilhados: que Jesus ressuscitou e apareceu a Simão, e que Ele foi reconhecido na fração do pão. A Eucaristia é o ponto de encontro da Igreja do Ressuscitado e o ponto de partida da missão. A 1ª leitura deste domingo mostra-nos como o apóstolo Pedro, para tornar aceitável para os judeus a mensagem de Cristo ressuscitado, coloca na boca do rei David um discurso profético sobre a ressurreição de Cristo. Neste sentido, a 2ª leitura da Carta de Pedro, salienta a imagem de Cristo como um cordeiro sem defeito e sem mancha, para lhes recordar a libertação da escravidão do Egito. De facto, em ambos os textos, São Pedro sublinha a grandeza e a alegria que nos advêm da ressurreição de Cristo. O Evangelho é um texto que nos fala de dois discípulos tristes e desapontados. No caminho, Jesus explica-lhes as Sagradas Escrituras que falavam do Messias, que teve de sofrer e morrer para alcançar a glória. E só reconheceram Jesus quando Ele partiu o pão. Também hoje é possível vivermos na alegria da presença de Cristo ressuscitado, que nos fala através da sua Palavra, e que nos parte o pão na Eucaristia para se dar como alimento. O facto de reconhecer Jesus ressuscitado marca toda a narrativa. No início, Lucas diz que os olhos dos dois discípulos eram incapazes de o reconhecer, enquanto no final os seus olhos abrem-se e eles o reconhecem. Dos dois discípulos, apenas o nome de um, Cléofas, é dito; o outro poderia ser qualquer um de nós que anda com Jesus sem perceber. Hoje, ocupando o lugar do discípulo sem nome, somos convidados a fazer o caminho do reconhecimento, isto é, a experiência de descobrir como os nossos olhos se abrem para nós (eles abrem-se para nós e não sabemos como, é o dom da fé) escutando a Palavra de Deus e participando da fração do pão, à volta do Ressuscitado, um ausente que está presente para nós, porque é o Vivente, o amor de Deus que nos visita. Tudo acontece no mesmo dia, no domingo. Com a ressurreição de Jesus, o tempo é eterno, ou seja, a eternidade vence a morte, que até então regulava a passagem do tempo. E a presença do Ressuscitado preenche todos os espaços. Cléofas e o outro discípulo saem de Jerusalém dececionados, experimentaram uma amarga derrota, estão desanimados com a morte na cruz do seu amigo e líder Jesus, mas, depois de fazerem o caminho do reconhecimento, o caminho da fé, ou seja, de não verem através da deceção, mas pela fé, eles levantam-se, abrem-se para a vida que brota da fé. Jesus é aquele que tem sempre a iniciativa: aproxima-se e caminha com Cléofas e com o seu amigo, ouve-os, explica-lhes a realidade a partir das Escrituras, senta-se à mesa com eles e, tomando o pão, pronuncia a bênção que o identifica, abre o coração à fé, e desaparece quando o reconhecem. É então que Cléofas e o seu amigo se recordam de que Ele os fez descobrir a essência do plano de Deus a partir da vida. Assim, libertam-se da sua deceção inicial e voltam a Jerusalém. O evangelista Lucas faz coincidir o encontro de todos os discípulos em Jerusalém, porque é a partir dali uma vez recebido o Espírito Santo – lembremo-nos que a sua receção implica o nascimento da Igreja – que o anúncio pascal se espalhará por toda a parte, que a Palavra de Deus chegará aos confins da terra. Por isso, Cléofas e o amigo tornam-se evangelizadores e partilham a fé com o resto da comunidade reunida. Também nós hoje partilhamos a alegria pascal, reconhecendo-a viva e presente na Palavra e na Eucaristia. Uma presença que nos convida à missão. Depois de celebrar a Eucaristia, saiamos felizes para viver e testemunhar a presença de Cristo Ressuscitado.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Os discípulos conheceram, C. Silva; Aclamai a Deus, aclamai (J. Gomes) – CT 363; Já a luz se levantou (M. Faria) – IC 298; Aclamai a Deus, F. Valente; Apresentação dos Dons: A nossa Páscoa imolada (A. Cartageno) – CEC I 131; Fomos resgatados pelo sangue (A. Cartageno) – LHC II 343; Comunhão: Reconhecei neste pão, M. Luís, N.C.T. 197; Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus (F. Silva) – CEC I; Os discípulos reconhecem (C. Silva) – CEC I 150; Final: Ressuscitou, aleluia!, A. Cartageno, N.C.T. 200; Fica connosco, Senhor (M. Luís) – NCT 535; Louvai todos o nome do Senhor (M. Luís) – NCT 165.
Leitura Espiritual

«Não vos esqueçais da hospitalidade» (Hb 13,1) 

Dois dos discípulos caminhavam juntos. Embora não acreditando, falavam sobre o Senhor. De repente, Ele apareceu-lhes, mas sob traços que não lhes permitiram reconhecê-Lo. Convidaram-no a partilhar a sua pousada, como é costume entre viajantes. Puseram a mesa, apresentaram os alimentos e, na fração do pão, descobriram Deus, que não tinham ainda reconhecido na explicação das Escrituras. Não foi, portanto, a escutar os preceitos de Deus que foram iluminados, mas a cumpri-los: «Não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados» (Rm 2,13). Se quisermos compreender o que ouvimos, apressemo-nos a pôr em prática o que conseguimos perceber. O Senhor não foi reconhecido enquanto falava; Ele dignou-Se manifestar-Se quando Lhe ofereceram de comer. Ponhamos, pois, amor no exercício da hospitalidade, queridos irmãos; pratiquemos de coração a caridade: «Que permaneça a caridade fraterna. Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Heb 13,1; cf. Gn 18,1ss). Pedro diz: «Exercei a hospitalidade uns com os outros, sem queixas» (1Ped 4,9). E a própria Verdade nos declara: «Era peregrino e recolhestes-Me. Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35.40). Apesar disto, somos tão preguiçosos diante da graça da hospitalidade! Avaliemos, irmãos, a grandeza desta virtude. Recebamos Cristo à nossa mesa, para podermos ser recebidos no seu festim eterno. Demos a nossa hospitalidade a Cristo que está no estrangeiro, para que, no dia do juízo, não sejamos como estrangeiros que Ele não sabe de onde vêm (cf. Lc 13,25), mas como irmãos que em seu Reino recebe. (São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja, Homilia 23; PL 76, 1182)

 
Redação: Padre  Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
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