A EUCARISTIA É O PONTO DE ENCONTRO DA IGREJA DO RESSUSCITADO E O PONTO DE PARTIDA DA MISSÃO
O texto evangélico deste domingo narra a viagem de dois discípulos de Jesus para uma cidade chamada Emaús, conversando entre si sobre o que tinha acontecido em Jerusalém. Quando eles se afastam de Jerusalém, Jesus aproxima-se e junta-se a eles, mas, de início, eles não O reconhecem. E quando O reconhecem ao partir o pão, regressam a Jerusalém, onde os Onze estão reunidos, e onde dois factos são partilhados: que Jesus ressuscitou e apareceu a Simão, e que Ele foi reconhecido na fração do pão. A Eucaristia é o ponto de encontro da Igreja do Ressuscitado e o ponto de partida da missão. A 1ª leitura deste domingo mostra-nos como o apóstolo Pedro, para tornar aceitável para os judeus a mensagem de Cristo ressuscitado, coloca na boca do rei David um discurso profético sobre a ressurreição de Cristo. Neste sentido, a 2ª leitura da Carta de Pedro, salienta a imagem de Cristo como um cordeiro sem defeito e sem mancha, para lhes recordar a libertação da escravidão do Egito. De facto, em ambos os textos, São Pedro sublinha a grandeza e a alegria que nos advêm da ressurreição de Cristo. O Evangelho é um texto que nos fala de dois discípulos tristes e desapontados. No caminho, Jesus explica-lhes as Sagradas Escrituras que falavam do Messias, que teve de sofrer e morrer para alcançar a glória. E só reconheceram Jesus quando Ele partiu o pão. Também hoje é possível vivermos na alegria da presença de Cristo ressuscitado, que nos fala através da sua Palavra, e que nos parte o pão na Eucaristia para se dar como alimento. O facto de reconhecer Jesus ressuscitado marca toda a narrativa. No início, Lucas diz que os olhos dos dois discípulos eram incapazes de o reconhecer, enquanto no final os seus olhos abrem-se e eles o reconhecem. Dos dois discípulos, apenas o nome de um, Cléofas, é dito; o outro poderia ser qualquer um de nós que anda com Jesus sem perceber. Hoje, ocupando o lugar do discípulo sem nome, somos convidados a fazer o caminho do reconhecimento, isto é, a experiência de descobrir como os nossos olhos se abrem para nós (eles abrem-se para nós e não sabemos como, é o dom da fé) escutando a Palavra de Deus e participando da fração do pão, à volta do Ressuscitado, um ausente que está presente para nós, porque é o Vivente, o amor de Deus que nos visita. Tudo acontece no mesmo dia, no domingo. Com a ressurreição de Jesus, o tempo é eterno, ou seja, a eternidade vence a morte, que até então regulava a passagem do tempo. E a presença do Ressuscitado preenche todos os espaços. Cléofas e o outro discípulo saem de Jerusalém dececionados, experimentaram uma amarga derrota, estão desanimados com a morte na cruz do seu amigo e líder Jesus, mas, depois de fazerem o caminho do reconhecimento, o caminho da fé, ou seja, de não verem através da deceção, mas pela fé, eles levantam-se, abrem-se para a vida que brota da fé. Jesus é aquele que tem sempre a iniciativa: aproxima-se e caminha com Cléofas e com o seu amigo, ouve-os, explica-lhes a realidade a partir das Escrituras, senta-se à mesa com eles e, tomando o pão, pronuncia a bênção que o identifica, abre o coração à fé, e desaparece quando o reconhecem. É então que Cléofas e o seu amigo se recordam de que Ele os fez descobrir a essência do plano de Deus a partir da vida. Assim, libertam-se da sua deceção inicial e voltam a Jerusalém. O evangelista Lucas faz coincidir o encontro de todos os discípulos em Jerusalém, porque é a partir dali uma vez recebido o Espírito Santo – lembremo-nos que a sua receção implica o nascimento da Igreja – que o anúncio pascal se espalhará por toda a parte, que a Palavra de Deus chegará aos confins da terra. Por isso, Cléofas e o amigo tornam-se evangelizadores e partilham a fé com o resto da comunidade reunida. Também nós hoje partilhamos a alegria pascal, reconhecendo-a viva e presente na Palavra e na Eucaristia. Uma presença que nos convida à missão. Depois de celebrar a Eucaristia, saiamos felizes para viver e testemunhar a presença de Cristo Ressuscitado. |