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Domingo IV do Tempo Comum | Ano A | 01 fevereiro

AS BEM-AVENTURANÇAS – A BIOGRAFIA ESCONDIDA DE JESUS

 A Palavra de Deus, proclamada neste domingo, fala-nos das bem-aventuranças, um texto extraído do Sermão da Montanha, conhecido como a “Carta Magna do Cristianismo”. Em Mateus, Jesus aparece como o novo Moisés, que do alto do monte transmite a nova Lei. Só Ele conhece o Pai e sabe o que o Pai tinha em mente quando, no Sinai, entregou a Lei a Moisés. Ele é, pois, o único que pode ensinar o que agrada ao Pai (cf. Mt 11,27). Por isso, tal como a Lei de Moisés (a Torah) se compõe dos cinco primeiros livros da Bíblia (o Pentateuco), também, em Mateus, Jesus apresenta a nova Lei em cinco grandes discursos: Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25. O texto deste domingo é o início do “Sermão da Montanha”. Convido-vos a refletir sobre o que significa “viver as bem-aventuranças”. Podemos afirmar que significa “aquele que está na graça de Deus e vive na amizade de Deus”. As bem-aventuranças iluminam as ações da vida cristã e revelam que a presença de Deus em nós deixa-nos muito felizes, levam-nos à alegria. Mas, por que é que as bem-aventuranças nos levam à alegria? Jesus ensina uma nova lei. Mateus começa por referir que Jesus subiu ao monte. Note-se que a referência ao monte, onde Jesus começa a “ensinar” os seus “discípulos” que dele “se aproximaram”, repete-se no final do Evangelho, com o “monte” da Galileia indicado por Jesus, onde Ele, ressuscitado, “se aproxima” dos Onze e os envia por toda a terra a fazer “discípulos” e a “ensiná-los” (Mt 28,16.19s), retomando assim a missão e pregação de Jesus. Na Sagrada Escritura “o monte” é o lugar do encontro com Deus e da revelação de Deus. Tal como Moisés, Jesus sobe ao monte, a fim de transmitir a nova Lei. Mas, ao contrário de Moisés, que avisou que quem se aproximasse do monte morreria (cf. Ex 19,12-13), os discípulos podem aproximar-se de Jesus, pois é dele que recebem a verdadeira vida. Ser pobre, ser manso, ser misericordioso... Estes são um novo “mandamento”, são mais do que normas. Na verdade, Jesus não impõe nada, mas revela o caminho para a felicidade, o seu caminho, repetindo várias vezes a palavra “bem-aventurados”. As bem-aventuranças são como que uma biografia escondida de Jesus. Ele nasceu numa manjedoura, não teve onde reclinar a cabeça (Mt 8,20), ou seja, foi pobre; Ele disse-nos que era “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), ou seja, era humilde; Ele tem um coração puro, por isso vê a Deus constantemente. Jesus trouxe a paz e sofre pelo amor de Deus. Nas bem-aventuranças revela-se o mistério de Cristo e convida-nos a fazer parte da sua comunidade. Pelo facto de terem um carater cristológico escondido, apresentam o caminho para a Igreja, nelas se encontra o exemplo a seguir, o exemplo de Jesus para todos, apesar da diversidade de vocações. Mas, atenção, a este pormenor: a razão da felicidade não é a situação atual, mas a nova condição que os bem-aventurados recebem como uma dádiva de Deus: “porque deles é o reino dos céus”. É Deus que nos faz felizes! As bem-aventuranças são uma esperança nos momentos difíceis que teremos de atravessar. É necessário elevar o nosso olhar a Deus, que é sempre conforto e energia no caminho da vida. As bem-aventuranças são o rosto Cristo, porque podemos contemplar na sua vida e nas sua obras a realidade deste novo mandamento. Esta passagem de Mateus expressa a caridade e o amor de Cristo. As bem-aventuranças não são uma norma, mas um ato de amor no caminho da vida cristã. Esta é a vocação dos cristãos. À luz da Palavra de Deus, sigamos o caminho do amor e da caridade de Cristo. Hoje, mais do que nunca, precisamos de ser a luz do rosto misericordioso de Deus num mundo dividido pelo ódio e pela discórdia. Que Maria Santíssima nos acompanhe nesta missão.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Da paz dos nossos lares, D. Julien, NCT 215; Nós somos o povo do Senhor (J. Martins) – CT 30; Aclamai o Senhor (F. Santos) – NCT 206; Ofertório: É nossa oferta, NCT 247; Meu Deus, eu Vos amo (A. Cartageno) – CEC II 46; Bem-aventurados os que fazem a paz (A. Cartageno) – CEC II 108; Comunhão: Lembrai-vos de nós, Senhor, M. Luís, NCT 146; Eu sou o pão da vida (B. Sousa) – NCT 262; Felizes os pobres (F. Santos) – CEC II 24; Final: Louvado seja o meu Senhor (J. Santos) NCT 283; Cantai, cantai alegremente (M. Luís) – NCT 193. No dia 2 de Fevereiro, ocorre a festa da Apresentação do Senhor, a tradicional "Candelária", projecção das solenidades do Natal em pleno Tempo Comum. Sugestão de cânticos para a festa da Apresentação do Senhor: Reunião da Assembleia: O Senhor nosso Deus virá, F. Santos, NCT 45; Bênção da Luz: O Senhor é minha luz e salvação, F. Santos, NCT 224; Procissão de Entrada: A luz de Cristo, M. Luís, NCT 370; Apresentação dos dons: Luz terna, suave, M. Luís, NCT 454; Comunhão: Comunhão: Aproximai-vos do Senhor, F. Silva, NCT 375; Aproximai-vos do Senhor, F. Santos, NCT 383.
Leitura Espiritual

A pobreza 

«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus» Quem são aqueles a quem Nosso Senhor chama pobres em espírito? São aqueles que não são proprietários, nem em espírito, nem no seu coração, nem na sua vontade, mas nada mais querem ter que a Deus. Todos os dias eles depositam aos pés de Cristo juízos, maneiras de ver, vontade, tudo, dizendo-Lhe: «Nada quero ter que seja meu; nada quero possuir senão o que de Ti vem; nada quero fazer senão o que Tu, como Verbo, decidiste para mim desde toda a eternidade: realizar o ideal divino que está em Ti a meu respeito». Esforcemo-nos para que, através da oração e com o olhar sempre fixo no nosso modelo, o sobrenatural seja a fonte de todos os nossos atos, para que o nome do Pai seja santificado, para que o seu Reino venha a nós, para que a sua vontade seja feita; nessa altura, a nossa vontade será verdadeiramente divinizada. E nessa altura, toda a nossa vida, voltando para Deus, será um louvor incessante, extremamente agradável ao nosso Pai celeste. Esclarecidos, inspirados e movidos pelo seu Verbo e o seu Espírito, poderemos dizer: «É o Senhor que me guia» (cf. Rom 8,14); e acrescentaremos imediatamente, como o salmista: «Nada me faltará» (Sl 22,1). Porque o Pai, vendo em nós apenas o que vem dele, da graça do seu Filho, da inspiração do seu Espírito, vendo-nos segundo os seus desejos, unidos ao seu Filho em todas as coisas, abraça-nos com a mesma complacência que tem pelo seu próprio Filho e cumula-nos das riquezas inesgotáveis do seu Reino. A nossa obra consistiu em nos despojarmos de nós próprios para nos deixarmos levar a Deus por Cristo. Todas as bênçãos de que o Filho está cumulado se tornam nossa herança. Deus abandona ao nada das suas pretensas riquezas aqueles que, julgando tudo possuir, repousam em si próprios; mas a sua misericórdia infinita cumula de bens do alto a miséria que só nele põe a sua esperança (cf. Lc 1,53). (Beato Columba Marmion (1858-1923), abade)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
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