LEVAR A CRUZ PARA PERMANECER NA LUZ, NA VERDADE, NO SERVIÇO E NA UNIDADE
Tendo refletido, no domingo passado, que o poder do Senhor nos liberta da morte e que devemos confiar plenamente nele, podemos avançar no caminho da perfeição, pegando, assumindo e experimentando a cruz, pois não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual implica contemplação e sacrifício que, gradualmente, levam-nos a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças e a tornarmo-nos plenamente filhos da luz. É sobre isto que a Palavra de Deus nos fala neste domingo. Somos filhos de Deus, porque através do seu Filho amado recebemos este dom, mas Ele também nos deu a oportunidade de viver na sua presença. Por isso, neste domingo rezamos: “Senhor, que pela vossa graça nos tornastes filhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro” (Oração Coleta). É evidente que o Senhor nos coloca numa situação de graça para que “permaneçamos sempre no esplendor da verdade”. O texto desta oração é extraordinário, porque revela a grandeza de tal filiação. Somos convidados a viver, a caminhar na luz e a permanecer na verdade. No salmo responsorial, a Igreja canta este acontecimento: “Feliz do povo que sabe aclamar-Vos e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto”. E na Sagrada Escritura, a importância de ter um filho para um pai ou uma mãe excede qualquer expectativa. A primeira leitura permite-nos meditar sobre a promessa feita por Eliseu à mulher que lhe dá alojamento e de comer: “no próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços”. Ao mesmo tempo, é indispensável compreender que, para uma pessoa, é muito importante saber que é filho de alguém e, no nosso caso, saber que somos filhos de Deus através do seu Filho amado, porque como nos diz São Paulo na segunda leitura, somos filhos no Filho e pelo batismo fomos iluminados e enxertados em Cristo para permanecermos na luz, na verdade, no serviço e na unidade. A verdade é uma forma de compreender a nossa condição de filhos da luz; A verdade tem um esplendor que nos permite viver vigilantes para não ficarmos nas trevas. Esta verdade em Cristo não tem restrições, enganos ou é marcada por meias medidas: ser de Cristo implica viver à sua maneira e abraçar com veemência o projeto de salvação. Por isso no Evangelho Jesus diz: “Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim”. Cristo não esconde de nós as implicações de amá-Lo, de viver na verdade e de sair de todo o erro. Assim, a vida cristã é seguir o caminho da luz e da verdade numa ascensão permanente para alcançar a perfeição: «Quem sobe nunca termina a subida; e vai passo a passo; nunca se alcança o fim do que é sempre suscetível à perfeição. O desejo de quem sobe nunca se detém naquilo que já lhe é conhecido» (São Gregório de Nissa, In Canticum, Homilia 8). O serviço foi definido muito claramente por Jesus com a sua pregação e com a sua vida: Ele encarnou, nasceu no meio das dificuldades do tempo, pregou o reino de Deus e morreu na cruz para nos ensinar que o serviço é a expressão de dar a vida pelos outros, sem esquecer que o próprio Senhor Jesus não veio para ser servido, mas para servir. Por isso, na oração sobre as Oblatas rezamos ao Pai: “fazei que este serviço divino seja digno dos mistérios que celebramos”. Servir, ou ser digno, é um modo concreto de responder ao amor de Deus e aos irmãos. Quem vive no projeto do amor de Deus e se deixa iluminar pelo esplendor da verdade, será capaz de permanecer unido à sua vontade. Peçamos à Virgem Maria que nos ajude a carregar as cruzes de cada dia, para que possamos caminhar numa vida nova, morrendo para o pecado e vivendo para Cristo Jesus, sabendo ver e acolher todos aqueles que Deus coloca na caminhada da nossa vida. |