Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
.
Acólitos ADAP Admonições Anúncio Pascal Audiovisuais Coro Equipa Litúrgica Espiritualidade
Horário da Missa Lecionários Leitores  Liturgia e Vida Quem somos Registação-Órgão  Zeladoas-igreja Formação
.
Celebração do Domingo

Domingo 12º do Tempo Comum Ano B

O TIMONEIRO DA FÉ E DA PAZ Depois da pregação de Jesus, através de parábolas, neste domingo é colocado diante de nós um milagre que nos revela o Seu domínio sobre a criação. E não é sobre um elemento qualquer: é sobre o mar. Muitas vezes, na Bíblia, o mar representa as forças contrárias a Deus, forças que só Deus é capaz de dominar. Nos textos evangélicos dominicais, as palavras e as ações de Jesus vão sendo alternadas e formam um conjunto que nos ajuda a entender melhor a mensagem do anúncio da proximidade do Reino de Deus. No texto evangélico deste domingo, insiste-se, novamente, num tema que está muito presente na nossa vida de cristãos: o medo e a fé como elementos contraditórios. E tem sentido, porque tudo o que significa confiança é contrário à angústia e à inquietação. Se no domingo passado, as leituras estavam centradas em imagens relativas à agricultura, agora, deparamo-nos com o mar e as suas tempestades, e como Jesus e os discípulos iam na mesma barca. A barca é uma forma tradicional de se falar da Igreja. “Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Talvez estivesse perto do timão (leme do barco), como que a apontar a rota. É importante que deixemos que seja Jesus a marcar a rota. Estamos com Ele, na mesma embarcação, submetidos às mesmas dificuldades e tempestades. Por isso, precisamos de contar com a Sua ajuda, escutando-O, precisamos de sentir a sua presença e a sua palavra. Sabemos que a maioria dos apóstolos de Jesus eram pescadores: Pedro, Tiago, João, André. Como é possível estarem tão assustados? Tinha de ser uma tempestade fora do normal. Também as dificuldades da nossa vida fazem-nos pensar na nossa pequenez: tormentas que nos envolvem, inseguranças que nos bloqueiam e limitam. No meio da tempestade, os apóstolos foram ter com Jesus e acordaram-no. Na nossa vida, “acordemos”, também, Jesus: “Mestre, não Te importas que pereçamos”? Esta é uma das frases dos apóstolos, dirigidas a Jesus, que poderíamos repetir incessantemente. Mas, “quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem”? Parecia que estava a dormir, mas quando Se levantou e falou, todos ficaram sem palavras. E o que se passou depois? Chegaram à outra margem para onde queriam ir e Jesus continuou a pregar. Atingiram um porto seguro. Mas, o que nos serve isto para a vida? Falar do mar e das tempestades, de barcos… Na outra margem, os apóstolos encontraram um porto seguro, estavam salvos, um porto de salvação. Este cais é um lugar de refúgio, é uma pausa na incerteza e na insegurança da travessia das ondas, é um lugar para recuperar as forças. O que é este porto seguro? É o espaço de encontro com Deus e com os irmãos. Permite que façamos uma revisão e avaliação da vida. Coloquemos os olhos no salmo deste domingo que nos narra uma viagem, desde o momento do embarque até chegar ao porto seguro: “soprou um vento de tempestade que fez encapelar as ondas…na sua angústia invocaram o Senhor e Ele salvou-os da aflição. Transformou o temporal em brisa suave…alegraram-se ao vê-las acalmadas, e Ele conduziu-os ao porto desejado”. A tempestade e as ondas são as experiências de vida que nos tornam adultos e maduros na fé, confiantes no Senhor. Por isso, erguemos as nossas vozes, aclamando: “Cantai ao Senhor, porque é eterno o Seu amor”. “Se me colhe a tempestade e Jesus vai a dormir na minha barca, nada temo porque a Paz está comigo”. O porto, a bonança e o descanso não são para sempre. Depois de ouvirmos a Palavra de Deus e de nos termos alimentado com o Pão vivo, descido do Céu, somos enviados em missão, a regressar ao mar. Não esqueçamos o que ouvimos e vivemos: com Jesus e em Jesus, sempre encontraremos um porto seguro.

Sugestão de Cânticos

Entrada: Deus vive na Sua morada santa, F. Santos, NCT 217; Irmãos, adoremos, M. Faria, NCT 220; Comunhão: O Senhor é meu Pastor, F. Santos, NCT 268. Solenidade de S. João Baptista (24 de Junho): Entrada: Bendito o que vem, M. Luís, NCT 208; Ide ao encontro do Senhor, M. Simões, NCT 219; Comunhão: Bendito seja o Senhor, M. Luís, NCT 604; A minha alma louva o Senhor, F. Santos, NCT 254.

Leitura Espiritual

«Porque estais tão assustados?»

Os discípulos «acordaram-no e disseram: “Mestre, não Te importas que pereçamos?”». Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador, e estais com medo? A Vida está convosco e a vossa morte preocupa-vos? Tirais o Criador do sono, como se Ele não pudesse, mesmo dormindo, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade? Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Ainda somos crianças fracas. Ainda não somos homens vigorosos. Ainda não vimos a cruz; ainda não fomos solidificados pela Paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos Céus e a descida do Espírito Santo Paráclito. O Senhor tem razão ao dizer-nos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Porque estais sem forças? Porquê essa falta de confiança? Porque vos falta a temeridade quando tendes a Confiança convosco? Mesmo que a morte irrompesse, não deveríeis recebê-la com constância? Eu dar-vos-ei a força necessária para os perigos e as provas, incluindo a saída da alma do corpo. Se precisais da minha força para tudo suportardes com fé, como homens, quanto mais para não cairdes nas tentações desta vida! Porque vos perturbais, gente de pouca fé? Sabeis que tenho poder sobre a terra; porque não acreditais que também tenho poder sobre o mar? Se Me reconheceis como verdadeiro Deus e Criador de todas as coisas, porque não acreditais que tenho poder sobre tudo o que criei? Então, «falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: “Cala-te e está quieto”. O vento cessou e fez-se grande bonança». (Homilia grega antiga, erradamente atribuída a Orígenes, c.185-253, presbítero, teólogo)

Padre Jorge Seixas, autor dos textos liturgia@diocesedeviseu.pt
Padre Carlos Cunha, autor do website © 2002-2024
View My Stats