Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
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2º DOMINGO DO ADVENTO (ANO C)

João Batista proclama a salvação para toda a humanidade: “toda a criatura verá a salvação de Deus”. Trata-se de uma jubilosa mensagem que os cristãos não deveriam esquecer. Nos meios de comunicação social, as notícias relatam maus tratos físicos, falam da corrupção mais ou menos generalizada, dos cristãos perseguidos por causa da fé, da morte de tantos imigrantes que procuram chegar à Europa para terem uma vida melhor, de tantas agressões à dignidade humana… Não estamos muito bem, poderíamos estar melhor. Nesta complexidade da vida das pessoas e do mundo, não é fácil encontrar caminhos de saída, soluções para estas realidades e também vislumbrar um futuro melhor para todos. Estas realidades negativas são causa de tristeza, de desânimo, de injustiças e fazem sofrer muitas pessoas. Por isso, é importante dar ouvidos às pessoas, escutarmo-nos mais vezes, dar mais atenção aos outros, apostar num diálogo sincero procurando não alimentar e diminuir o egoísmo para que cresça a cooperação no bem comum. É necessário rasgar caminhos que conduzam à paz, à justiça, à erradicação da pobreza, à defesa dos direitos humanos, à valorização da dignidade da pessoa humana e, acima de tudo, à vontade de assumir cada vez os nossos deveres sociais. O profeta Baruc dirige-se à cidade de Jerusalém, deprimida como uma mãe viúva que chora a desgraça dos seus filhos: “deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus… Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente… Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus” (1ª leitura). É desejo do profeta animar os exilados com a esperança do regresso à terra. Neste domingo, S. Lucas apresenta-nos João Batista, o maior do grupo dos profetas. Num determinado momento, bem situado na história, depois de uns anos de solidão no deserto onde experimentou a Palavra de Deus, João dirige-se para o rio Jordão, nos limites do deserto, como “voz” que convida o povo à conversão, a uma mudança radical de vida, a reconhecer os seus erros e pecados que os conduziu para um caminho sem saída. Agora, são convidados a percorrer novos caminhos que tornem possível o encontro com Deus que se aproxima e quer trazer a salvação para todos. “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas… toda a criatura verá a salvação de Deus”. Como poderemos aplanar ou endireitar novos caminhos? Aplanar quer dizer rebaixar as colinas e as proeminências da prepotência, do orgulho, do egoísmo, do poder, do mercantilismo que impedem a chegada de um mundo verdadeiramente humano, segundo o projeto de Deus. Por isso João Batista convida o povo a abrir caminhos para encontrar o Salvador. Através das mediações, Deus revela os seus mais nobres desejos para cada um de nós. A nível pessoal, será através de uma mão amiga, uma palavra de ânimo, uma proximidade discreta que nos oferece compreensão e afeto. A nível coletivo, temos o grupo dos profetas do mundo de hoje, mesmo que não conhecidos nem escutados. Alguém disse: “Se não houver vozes proféticas morrerão muitas esperanças dos povos”. Na segunda leitura, S. Paulo exorta os cristãos de Filipos, e a nós também, a viver com coerência: “a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus”. Os verdadeiros caminhos são abertos e construídos com a ternura, a razão, a verdade, a sabedoria e a justiça. São os caminhos das pessoas íntegras que preparam o caminho do Senhor. Se desejas encontrar-te com o Senhor, rasga e percorre o caminho da tua vida na integridade e com coerência no que dizes, no que pensas e no que fazes. 

Sugestão de cânticos: Entrada: O Senhor é a minha luz, F. Santos, NCT 224; Chegue até Vós, Senhor, F. Santos, NCT 213; Vamos confiantes (C. Silva) – CT 50; Eu vos invoco, Senhor (A. Cartageno) – CEC II 129; Apresentação dos Dons: Quem quiser ser grande (M. Luís) – NCT 555; A messe é grande (C. Silva) – OC 14; Comunhão: Elevarei o cálice da Salvação, M. Faria, NCT 259; O Senhor alimenta, F. Silva, NCT 267; Beberam o cálice do Senhor (C. Silva) – OC 54; O Filho do Homem (F. Santos) – CEC I 116; Final: Ide por todo o mundo (M. Luís) – NCT 355; Ó Maria, Rainha das Missões (Popular) – CT 567.

Sugestão de Cânticos: Entrada – Maranatha, Aleluia (F. Santos) – CEC I 32; Ó Povo de Sião (M. Luís) – CEC I 32; Povo de Sião, NCT 26; O Senhor vem e não tardará, NCT 24; Sobre Jerusalém, NCT 35. Ofertório: Preparai os caminhos do Senhor (F. Santos) – CEC I 31; Povo de Deus, eis o teu Senhor (M. Luís) CAC 53; Comunhão – Levanta-te, Jerusalém (F. Silva) – CEC I 18; Senhor, descei a nós (M. Luís) – CEC I 34; Levanta-te, Jerusalém, BML 48,15; ou NCT 43; O Senhor nosso Deus virá, NCT 45. Final – Abri as portas (C. Silva) – OC 24; Maria, fonte de esperança (M. Luís) – NCT 53; Vinde, vinde, NCT 51

      

LEITURA ESPIRITUAL

«O deserto e a terra árida vão alegrar-se, a estepe exultará e dará flores» (Is 35,1) «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor’». Irmãos, reflitamos antes de mais na graça da solidão, na beatitude do deserto, que mereceu ser consagrado ao repouso dos santos desde o começo da era da salvação. É verdade que o deserto foi santificado para nós pela «voz [que] clama no deserto», João Batista, que pregava e administrava um batismo de penitência; mas já antes dele os profetas mais santos tinham amado a solidão enquanto local favorável ao Espírito. Porém, este local recebeu uma graça de santificação incomparavelmente maior quando Jesus tomou o lugar de João (Mt 4,1). Ele permaneceu no deserto durante quarenta dias, como que para purificar e consagrar este local a uma vida nova; venceu o déspota que o assombrava, não tanto por si, mas por aqueles que, no futuro, aí habitariam. Portanto, espera no deserto Aquele que te salvará do medo e das tempestades; quaisquer que sejam os combates que sobre ti se abatam, quaisquer que sejam as privações que venhas a sofrer, não regresses ao Egito, pois o deserto há de alimentar-te melhor com o maná. Jesus jejuou no deserto, mas muitas vezes alimentou a multidão que O seguia, e fê-lo de forma maravilhosa. Quando pensares que Ele te abandonou há muito, nessa altura Ele virá, recordado da sua bondade, para te consolar e te dizer: «Recordo-me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado, quando me seguias no deserto» (Jer 2,1). Nessa altura, Ele fará do teu deserto um paraíso de delícias, e tu proclamarás, como o profeta, que «tem a glória do Líbano, a formosura do monte Carmelo e da planície de Saron» (Is 35,2). Então, da tua alma saciada brotará um hino de louvor: «Deem graças ao Senhor, pelo seu amor e pelas suas maravilhas em favor dos homens. Pois Ele deu de beber aos que tinham sede, e matou a fome aos famintos» (Sl 106,8-9). (Beato Guerric de Igny, c. 1080-1157, abade cisterciense, 4.º Sermão do Advento) 
Que necessidade havia de que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma grande necessidade, que podemos resumir em dois pontos: necessidade de remediar os nossos pecados e necessidade de dar o exemplo para a nossa conduta. A Paixão de Cristo dá-nos um modelo válido para toda a vida. Se procuras um exemplo de caridade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Se buscas paciência, é na cruz que a encontramos no grau máximo: Na cruz, Cristo sofreu grandes tormentos com paciência porque «ao ser insultado não ameaçava» (1Pd 2,23), «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). «Corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia» (Hb 12,1-2).
Se procuras um exemplo de humildade, olha para o Crucificado. Porque Deus quis ser julgado por Pôncio Pilatos e morrer. Se procuras um exemplo de obediência, basta que sigas Aquele que Se fez obediente ao Pai «até à morte» (Fl 2,8). «De fato, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se tornarão justos» (Rm 5,19). Se buscas um exemplo de desapego dos bens terrenos, simplesmente segue Aquele que é o «Rei dos reis e Senhor dos senhores», «em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (1Tm 6,15; Cl 2,3); Ele está nu na cruz, tornado motivo de escárnio, coberto de escarros, maltratado, coroado de espinhos e, por fim, dessedentado com fel vinagre. (São Tomás de Aquino, 1225-1274, teólogo dominicano, doutor da Igreja, Conferência sobre o Credo, 6)

Padre Jorge Seixas
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