Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
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24º DOMINGO COMUM (ANO B)
Com alegria e esperança, ressoa nos nossos ouvidos as palavras do profeta Isaías, que se encontram na primeira leitura deste domingo: “o Senhor Deus veio em meu auxílio e por isso não fiquei envergonhado”. Mas poderemos olhar, em primeiro lugar, para o trecho da carta de S. Tiago, na segunda leitura. São palavras que não precisam de grande explicação, porque claramente afirmam que “a fé sem obras está completamente morta”, “Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé”. São palavras para sempre refletir e sempre colocar em prática. São palavras que não nos deixam viver somente de boas intenções. Somos e seremos julgados pelas nossas obras. Quando perguntaram a Jesus como será o julgamento da nossa vida, afirmou claramente que as nossas ações com os outros dão, ou não, sentido à nossa biografia cristã: tive fome e deste-me de comer, era peregrino e recolheste-me, estava doente e foste visitar-me.
A partir do texto da carta de S. Tiago, debrucemo-nos sobre o texto do evangelho deste domingo que tem duas partes bem distintas, mas muito importantes. A pergunta que Jesus faz aos seus discípulos é feita também a todos nós. “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Não se exige respostas académicas, bem fundamentadas nos tratados de Teologia, mas pede-se uma resposta nascida do encontro e da experiência com Jesus. Do conhecimento histórico de Jesus não sabemos grande coisa; sobre o conhecimento bíblico e teológico já foram escritos milhares de livros; mas o conhecimento que aqui nos é pedido é o conhecimento nascido da experiência, do interior de cada um e do encontro e da relação com Jesus. Mas, respostas precipitadas também não servem. Pedro respondeu: “Tu és o Messias”, mas ainda não sabia muito bem o que isto significava, como Jesus confirmou ao dizer: “Tu não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens”. Pedro pensava num Messias triunfante, entendendo o triunfo de uma forma humana, não como o entende Deus. Na segunda parte do texto encontramos, em certo sentido, o cumprimento da primeira. Conhecer Cristo supõe saber segui-Lo, é levar a cruz de todos os dias. Seguir Jesus é perder a vida, se for necessário, por Ele e pelo Evangelho. Por isso, “se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”.
Tomar a cruz e perder a vida não é um convite ao “pietismo” ou ao “devocionismo”. Jesus experimentou as alegrias e as esperanças dos homens e mulheres do seu tempo, mas também assumiu as responsabilidades e as exigências da vida. É a própria vida que nos traz a cruz. Quando Jesus fala em “salvar a vida” convida-nos a aceitar as nossas debilidades que nascem tantas vezes da própria condição humana e, sobretudo, das incompreensões perante a nossa fidelidade a uma conduta ética e comprometida. “Renunciar a si mesmo” não é cair em depressão e angústia, mas colocar a nossa coerência e as nossas responsabilidades acima dos nossos interesses, e isto supõe muitas vezes a cruz!
Aceitar Jesus Cristo na nossa vida é aceitar a sua doutrina e o seu estilo de vida. Serão muitas as dificuldades e sofrimentos que teremos, simplesmente porque nos afirmamos como cristãos. Mas sabemos que a cruz acabará na ressurreição e que este mundo injusto e inseguro se converterá num “novo céu e numa nova terra”.
Sugestão de cânticos: Entrada: Escutai-me, Senhor, CEC 11, pág. l05; Escutai, Senhor, a prece (A. Cartageno) – CEC II 113; Dai a paz, Senhor (M. Faria) – CEC II 111; Ofertório: A Vós, ó Verbo eterno, NCT, 601 (como alternativa pode repetir 250 do NCT); Tomai, Senhor, e recebei (J. Santos) – IC 578; Como é admirável, Senhor (F. Santos) – CEC II 114; Comunhão: Como o veado anseia, CEC 11, pág.l10; Se alguém quiser seguir-Me (C. Silva) – CEC II 109; Jesus Cristo amou-nos (M. Luís) – CEC II 135; Pós-comunhão: Dai graças ao Senhor, NCT, 610; Senhor, eu creio que sois Cristo (F. Silva) – CEC II 42; Final: Povo Teu somos, ó Senhor, NCT, 360; Cantarei ao Senhor um cântico novo (F. Silva) – NCT 212.
LEITURA ESPIRITUAL
A união com o Crucificado faz nascer a força apostólica do amor misericordioso, que se torna presente em todas as partes onde Cristo sofre qualquer necessidade material ou espiritual nos mais pequenos deste mundo.
«O mundo está em chamas! Urge-te extingui-las? Contempla a Cruz. Desde o coração aberto brota o sangue do Salvador. Ele apaga as chamas do inferno. Liberta o teu coração pelo cumprimento fiel dos teus votos e então derramar-se-á nele o caudal do Amor divino até inundar todos os confins da terra. Ouves os gemidos dos feridos nos campos de batalha do Este e do Oeste? Tu não és médico, nem mesmo enfermeira, nem podes vendar as feridas. Estás recolhida na tua cela e não lhes podes acudir. Ouves o grito agónico dos moribundos e quererias ser sacerdote e estar ao seu lado. Comove-te a aflição das viúvas e dos órfãos e quererias ser o Anjo da Consolação e ajudá-los. Olha para o Crucificado. Se estás unida a Ele, como uma noiva no cumprimento fiel dos teus santos votos, és tu / seu sangue precioso que se derrama. Unida a Ele, és como o omnipresente. Não podes ajudar aqui ou ali como o médico, a enfermeira, ou o sacerdote; mas com a força da Cruz podes estar em todas as frentes, em todos os lugares de aflição. O teu Amor misericordioso, Amor do coração divino, leva-te a todas as partes onde se derrama o seu precioso sangue, suavizante, santificante, salvador».
A união com Cristo é necessária para participarmos na obra da expiação e da redenção nossa e de toda a humanidade: «No fundo não há nenhuma separação entre a  santificação própria e o apostolado. Quem busca a perfeição segundo a vontade de Deus, busca-a não para si, mas para os outros».
A união com Cristo Crucificado alcança assim uma dimensão de santificação pessoal e uma dimensão apostólica de salvação universal.
«Desta forma encontram-se indissoluvelmente unidos a própria perfeição, a união com Deus, o trabalho para que o próximo alcance a união com Deus e a perfeição. E o caminho para tudo isto é a Cruz. E a pregação da cruz seria vã se não fosse a expressão de uma vida unida a Cristo Crucificado».
O caminho de seguimento do Crucificado é animado pela certeza da vitória de Cristo: «No sinal da cruz venceremos… vejam-se ou não os frutos». «Vitória, Tu reinarás; ó Cruz, Tu nos salvarás». (S. Teresa Benedita da Cruz, A expiação mística. Amor à Cruz, 24-11-1934)
Padre Jorge Seixas
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