Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
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6º DOMINGO COMUM (ANO C)

  1. Como os 3º, 4º e 5º domingos, também os 6º, 7º e 8º poderiam ser considerados como um outro pequeno conjunto na leitura semicontínua do capítulo 6 de S. Lucas.
  2. A primeira leitura deste domingo, do Livro de Jeremias, coloca-nos uma questão fundamental sobre a confiança. Em quem depositarmos a confiança, teremos ou a maldição ou a bênção. Quem confia no homem será como o cardo na estepe, habitará na aridez do deserto, nunca terá felicidade, será estéril porque o seu coração se afastou do Senhor. Porém, quem confia na ajuda do Senhor será como uma árvore plantada à beira da água, que nada tem a temer perante as adversidades e dará sempre fruto, porque no Senhor deposita toda a sua confiança. A confiança em Deus é como a água (Deus, “fonte de água viva”, diz Jeremias numa outra passagem). Só a árvore bem regada, será fecunda.
  3. O salmo responsorial responde à primeira leitura: “Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor, que não segue o conselho dos ímpios… é como uma árvore plantada à beira das águas”. Estas frases do salmo 1 são muito semelhantes ao texto de Jeremias tanto na estrutura (ainda que em ordem inversa), como nas imagens, apesar de em vez de falar de maldição e de bênção, o salmo fala do “ditoso” e da sorte bem diferente dos ímpios (“Feliz” é a primeira palavra do saltério).
  4. O texto das Bem-Aventuranças que encontramos em S. Lucas e em S. Mateus (são lidas no dia de Todos os Santos) apresentam alguns aspectos a ter em conta, começando pelo local onde foram proclamadas: num sítio plano em Lucas, no cimo do monte em Mateus; quatro em Lucas, oito em Mateus; quatro “maldições” em Lucas, o que não aparece no texto de Mateus. O evangelista Mateus convida ao despojamento espiritual (“pobres em espírito”), Lucas convida à reforma das estruturas. Mas os dois textos terão sempre a sua importância, quando se pretender reflectir a Igreja dos pobres. É frequente, em Lucas o convite, seguindo o exemplo de Jesus (“Ele me enviou a anunciar o Evangelho aos pobres”), à pobreza. São da autoria de Lucas (não encontramos noutro evangelho) os textos que nos convidam à pobreza: o rico insensato, a parábola do rico e do pobre Lázaro, Zaqueu. Os ricos, “afogados” nas riquezas e nos prazeres da vida, excluem-se por sua própria iniciativa do Reino. Na outra vida, os papéis serão estarão invertidos (o rico e o Lázaro). Também neste domingo não é difícil relacionar o evangelho com a primeira leitura: Bem-aventurados… Ai de vós; Maldito… Bendito. A pregação de Jesus está dentro do âmbito da tradição profética. As bem-aventuranças situam-se na linha das promessas de Deus àqueles que têm mais necessidade de ajuda. As maldições destacam a seriedade do seguimento de Jesus.
  5. A segunda leitura continua a narrar a argumentação de S. Paulo sobre a ressurreição (a primeira parte escutámos no último domingo). Em Corinto, no tempo de Paulo (como também hoje acontece), nem todos aceitam a ressurreição dos mortos. A dificuldade não é aceitar a ressurreição de Cristo, mas aceitar que a nossa ressurreição é a seguir à de Cristo. Como Paulo faz questão de afirmar, entre elas há uma relação. Como também é aqui que se encontra o sentido fundamental da vida cristã: ela não teria sentido se Cristo não tivesse ressuscitado.
  6. A oração colecta deste domingo diz: “Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada”. A finalidade dos ritos iniciais (entrada, saudação, acto penitencial…) é criar comunhão entre nós e assim, alegremente, escutar a Palavra e participar do banquete, aceitando o convite de Deus que quer habitar entre as suas criaturas porque nos ama. A vinda do Seu Filho é a expressão máxima deste desejo divino.