Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
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Celebração do Domingo

DOMINGO DE PENTECOSTES Ano B

As festas cristãs, como a Solenidade de Pentecostes, têm diversas raízes. Algumas nasceram da tradição; outras proveem do Judaísmo e outras têm reminiscências em diversas culturas ou celebrações inspiradas, habitualmente, na natureza ou no ciclo solar ou lunar do ano. A celebração do Pentecostes era, para os judeus, a festa das colheitas, a ação de graças pelos frutos da terra. Para nós, o Espírito Santo é o fruto pascal. Pentecostes não é uma segunda Páscoa. Bem sabemos que há uma única Páscoa. E durante o tempo da Páscoa, vimos despontar a primavera, o verde dos campos, o ressurgir das vinhas; agora vai aproximando-se, pouco a pouco, o tempo das colheitas. Depois de contemplarmos e vivermos a alegria da ressurreição, colocamos a nossa atenção nos frutos, ou seja, no fruto que se revela em muitos e diversos frutos: o Espírito Santo. As leituras bíblicas dos últimos domingos foram nos preparando para esta solenidade, e as leituras deste domingo evocam-nos esta vinda do Espírito Santo. A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, fala-nos do dia de Pentecostes com as imagens do fogo, do vento e do dom das línguas. Mas, o que é isto do dom das línguas? O Espírito Santo revela-se em cada língua e em cada povo. Todas as línguas falam a linguagem comum da fé e do amor. Não é preciso fazer grandes reflexões para entender a linguagem do Espírito, como, por vezes, algumas pessoas ou grupos, erroneamente espiritualizados, querem dar a entender. O Espírito Santo fala ao coração de cada um e ao coração de todos. fala em cada realidade concreta da nossa vida. Neste mundo globalizado, o acesso à internet e algumas viagens que possamos fazer ajudam-nos a viver esta dupla realidade da Igreja: a universalidade e o específico de cada Igreja particular. O mesmo acontece com a ação do Espírito: em todas os lugares, encontramos manifestações dos dons do Espírito Santo de formas diversas e particulares, mas todas autênticas. A alegria, a paciência, a paz, a bondade, a mansidão, a sobriedade, a fidelidade…são alguns frutos que São Paulo faz referência na carta aos Gálatas. Pensemos, também, em muitos outros frutos do Espírito Santo que podemos ver em algumas pessoas concretas, em grupos, em instituições. Observemos a história da Igreja e descubramos como, em cada fase, surgiram frutos novos para dar nova seiva e nova vitalidade à vida eclesial e à vida do mundo. Recordemos tantos frutos de bondade, de generosidade e de amor que vão surgindo à nossa volta. Uma das maravilhas que o Espírito Santo faz é livrar-nos do pessimismo, para o qual somos constantemente tentados por algumas circunstâncias da vida. Viver no Espírito é viver na alegria e na esperança, que se revelam de diversas maneiras. No texto evangélico deste domingo, Jesus convida os discípulos a transmitir paz e perdão. Recordemos que, antes, Ele já tinha sido crucificado e tinha, no seu corpo, as chagas da paixão. Aquilo que é bom nasce sempre de um coração trespassado pelo amor. Viver na alegria brota, também, de umas mãos feridas e de um coração trespassado, porque não é uma alegria enganosa, mas de quem dá a vida por amor. O Pentecostes é sinal de que Jesus cumpre as suas promessas. Ele tinha prometido a vinda do Espírito Santo para manter viva a sua presença através do testemunho cristão. Somos convidados a sermos testemunhas do Espírito de Jesus em todos os momentos da nossa vida, onde quer que nós estejamos. Devemos ser mensageiros do Espírito, da justiça e da paz de Deus dentro da Igreja, nas empresas, nas escolas, nos hospitais, nos locais de trabalho e de lazer, nas associações culturais e desportivas e em tantos outros sítios. O Espírito Santo, que reuniu o grupo dos Doze Apóstolos, continua a reunir-nos, a soprar sobre nós e a enviar-nos ao mundo que Deus tanto ama, dando continuidade à obra salvífica de Jesus, estendendo a mensagem do Evangelho e levando a liberdade do perdão a todos os povos.

Sugestão de Cânticos

Entrada: O Espírito do Senhor, F. Santos, NCT 180; O Espírito do Senhor, M. Luís, NCT 377; O Amor de Deus foi derramado (F. Santos) – CEC I 174; Sequência: Veni Sancte Spiritus, c. gregoriano, NCT 203; Ofertório: Espírito Criador, F. Santos, NCT 179; Veni Creator, C. greg., NCT 204; Vem Criador, F. Santos, NCT 541; Vinde Espírito divino, M. Luís, NCT 543; Apareceram línguas de fogo, F. Santos, NCT 544; Quando chegou, F. Santos, NCT 546; Vinde Espírito Santo, F. Santos, NCT 547; Só no Espírito de Deus (C. Silva) – OC 281; Abri os corações (J. Santos) – IC 331; Comunhão: O Espírito que procede, M. Luís, NCT 196; Eu estou sempre convosco (C. Silva) – CEC I 188; Formamos um só corpo (C. Silva) – OC 140; Fim: O amor de Deus, M. Luís, NCT 388 Ressuscitou, aleluia!, A. Cartageno, NCT 200; Aleluia! Louvor a Vós, ó Cristo, M. Luís, NCT 168; Todos ficaram cheios (M. Luís) – CEC I 188; O Espírito do Senhor renova (M. Silva) – NCT 746.

Leitura Espiritual

Do Pentecostes judaico ao Pentecostes cristão 

O Monte Sinai é símbolo do Monte Sião. Reparai como as duas alianças se ecoam uma à outra, com que harmonia a festa de Pentecostes é celebrada em cada uma delas. O Senhor desceu ao monte Sião no mesmo dia e de maneira muito semelhante a como tinha descido ao monte Sinai. Escreve São Lucas: «Subitamente, fez-se ouvir, vindo do céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles» (At 2,2-3). Sim, tanto num como noutro monte se ouve um ruído violento e se vê um fogo: no Sinai, foi uma nuvem espessa, no Sião o esplendor de uma luz muito forte; no primeiro caso, tratava-se de «imagem e sombra» (Hb 8,5), no segundo caso, da realidade verdadeira. No passado, ouviu-se o trovão, hoje, distinguem-se as vozes dos apóstolos; de um lado, o brilho dos relâmpagos, do outro, grandes prodígios. «Moisés mandou o povo sair do acampamento, para ir ao encontro de Deus, e pararam junto do monte» (Ex 19,17); nos Atos dos Apóstolos, lemos que «ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada» (v. 6): o povo de toda a Jerusalém reuniu-se aos pés da montanha de Sião, ou seja, no lugar onde Sião, a imagem da Santa Igreja, começou a ser edificado, a colocar os seus fundamentos. «Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas», diz o Êxodo (v.18). Aqueles que tinham sido abrasados pelo fogo do Espírito Santo não poderiam deixar de arder; e, assim como o fumo assinala a presença do fogo, assim também o fogo do Espírito Santo manifestou a sua presença no coração dos apóstolos, revelando-Se pela segurança dos seus discursos e a diversidade das línguas que falavam. Felizes os corações que estão cheios deste fogo! Felizes os homens que ardem com este calor! «Todo o monte estremecia violentamente, e os sons da trombeta repercutiam-se cada vez mais» (vv.18-19); também a voz dos apóstolos e a sua pregação se tornaram cada vez mais fortes, fazendo-se ouvir cada vez mais longe, até que «por toda a Terra caminha o seu eco, até aos confins do Universo a sua palavra» (Sl 18,5). (São Bruno de Segni, c. 1045-1123, bispo, Comentário ao Êxodo, cap. 15)

Padre Jorge Seixas, autor dos textos liturgia@diocesedeviseu.pt
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